O pai nasce, para todo o sempre, exatamente no mesmo momento em que nasce a mãe: na concepção do bebê. Contudo, essa simultaneidade biológica não garante que esse homem exercerá a parentalidade com aquela criança. Esse detalhe, que faz toda a diferença no desenvolvimento do sistema familiar, é uma escolha contínua de ambos.
Enquanto a mulher gesta o filho fisicamente no ventre e o alimenta do seu próprio corpo, a gestação do pai acontece no campo do planejamento, na segurança da continuidade da vida que está por vir e na adaptação subjetiva à nova realidade. É um processo de luto e questionamentos profundos que, embora invisível aos olhos alheios, é fundamental para o homem que se propõe a existir para o filho.
O protetor do vínculo inicial
Diferente da mãe, que logo após o nascimento entra em um estado natural de fusão emocional com o bebê, o pai, em um primeiro momento, muitas vezes se posta como um protetor desse vínculo. Ele aguarda o seu tempo e o espaço que a mãe, em sua disponibilidade e abertura, permite que o seu afeto seja direcionado à criança.
Este ponto é crucial: este homem é o “pai certo” para essa criança, independentemente de ele ser ou não o companheiro que a mãe idealizou. Ele compõe a realidade da criança, faz parte da sua verdade e é um pilar da sua estrutura.
Todo o amor que esse pai consiga oferecer precisa ser acolhido. Quando a mãe opta por reconhecer, em vez de julgar, ela pavimenta uma relação muito mais virtuosa, onde o erro faz parte do aprendizado e a presença é o que realmente sustenta a conexão.
O ciclo de nutrição entre pais
Em meu acompanhamento clínico com famílias, observo um fenômeno interessante: quanto mais cuidadoso e envolvido esse homem se demonstra nas demandas do bebê, mais a mulher se sente sustentada e atraída por ele.
Quando o pai assume o cuidado, ele não nutre apenas a criança; ele nutre e inspira a continuidade de uma relação que agora se desdobra: deixa de ser apenas conjugal para se tornar, também, uma parceria parental sólida. O envolvimento prático do pai é, muitas vezes, o segredo para que a mãe consiga também se nutrir e retornar ao desejo de ser mulher e companheira.
Espaço da nossa Aldeia
A transição para a paternidade e a maternidade é um terreno de ajustes delicados, onde o julgamento costuma ser o maior inimigo da união.
Como tem sido a experiência de partilha de cuidado por aí? Você consegue reconhecer o estilo próprio do pai do seu filho ou ainda se pega presa à necessidade de que tudo seja feito exatamente como você planejou? Vamos trocar sobre essa construção da parceria parental nos comentários!


