Na bolsa carregava uma penca de brinquedos específicos para a sua idade.
Uns eu mesma confeccionei, com toda a expectativa de que seriam os preferidos.
Porém seu interesse estava fora do tapetinho e muito além daqueles objetos.
E agora? Devo eu limitá-lo às experiências que imaginei adequadas e assim cortar-lhe as asas e sua capacidade de saber genuinamente do que gosta? Ou aceito ser sua companheira de descoberta e me deixo maravilhar pelo inesperado?
Quem é meu filho? Como posso descobri-lo se não através de suas vontades e interesses?
Se desejar fazê-lo caber em meus sonhos, já sabemos o quão pequeno será. Mas se eu apenas aceitar? Que deliciosa aventura!
Não tenho como influenciar o interesse dessa criança sem causar dano.
Apenas ela conhece suas vontades e as revela a mim em comportamento.
Quando desejo ser cúmplice da autonomia e da construção da autoestima, (sim… autoestima apenas nós podemos construir por nós mesmos) devo me colocar no lugar de ver e reconhecer este ser.
Não deixarei de oferecer oportunidades mas respeitarei o tempo e o interesse dele em aceitá-las, e se isso acontecer desejo apenas estar presente para celebrar quando aquele olhar de “eu consigo” ou de “olha o que eu descobri” procurarem a minha presença.
Não quero que meus filhos correspondam às minhas expectativas, desejo manter em mim a liberdade para poder estar nesses esplêndidos encontros!
#brincarlivre #AbordagemPikler


