Pense comigo por um instante: as soluções rápidas que você procura para resolver os problemas, choros e desafios que surgem após o nascimento dos filhos são motivadas pelo quê?
O seu movimento busca construir um patrimônio emocional, afetivo e saudável para a sua própria maturidade e para o desenvolvimento pleno do seu filho? Ou o objetivo principal, ainda que inconsciente, é apenas minimizar o seu trabalho e o seu esforço imediato para atender às demandas da criança?
Dependendo da sua resposta honesta, o que direi a seguir funcionará como um incentivo ou como uma advertência profunda.
A grande verdade clínica e sistêmica que a nossa cultura tenta mascarar é: não existe forma de minimizar o seu trabalho na criação de um filho. A única escolha real que você está fazendo, todos os dias, é em que momento da vida você deseja lidar com as consequências das suas escolhas.
O preço invisível dos atalhos
Qualquer tentativa de pegar um “atalho” ou adotar métodos rígidos para que o seu bebê seja mais independente antes da hora, mais avançado ou perfeitamente obediente trará consequências tardias.
O desenvolvimento humano possui um cronograma neurológico e emocional que não aceita pressa. Tudo aquilo que deixa de ser atendido em suas necessidades específicas em cada fase do crescimento não desaparece; simplesmente fica reprimido e emergirá em algum período da vida — seja através do adoecimento físico, de sintomas comportamentais ou do sofrimento mental na adolescência e na idade adulta.
Tentar acelerar processos ou silenciar as necessidades da criança para garantir o conforto imediato dos adultos é construir uma casa sobre a areia.
A exigência da presença e o lugar do adulto
É evidente e inegável que estar disponível para se adaptar e atender às necessidades do bebê no exato momento em que a demanda surge é algo extremamente exigente, exaustivo e trabalhoso. Nem sempre estamos com paciência, nem sempre estamos com vontade, mas, psicologicamente falando, aquela é a hora certa.
A infância não espera a nossa conveniência. E para sustentar esse processo sem desabar, precisamos nos lembrar de uma regra de ouro da parentalidade consciente: na relação com os nossos filhos, só deve haver uma única criança.
Quando perdemos o controle, gritamos ou tentamos disputar poder com um filho pequeno, estamos temporariamente abandonando o nosso papel de adultos e agindo como uma segunda criança na dinâmica. O bebê precisa de um porto seguro que saiba acolher a tempestade dele, e não de alguém que entre no mesmo turbilhão.
Aprender a sustentar o desconforto de um processo de criação vivo, sem buscar saídas de emergência ou manuais de adestramento, é o caminho mais seguro para garantir a saúde mental da próxima geração e, de quebra, a nossa própria evolução.


