Criança mimada é um rótulo! Vejo pais muito preocupados para que seus filhos não sejam vistos e identificados nessa categoria de crianças. Traz à mente um julgamento de crianças que reivindicam, solicitam, se impõe. O que na minha opinião é ótimo, mas incomoda os adultos que nem sempre consideram a criança como uma pessoa, que tem necessidades, vontades e qualidades individuais.
Por definição, mimar é tratar bem, fazer algo pelo bem do outro. Como pais, essa deveria ser sempre a nossa atitude. Buscar encontrar alternativas para que nossos filhos sintam-se bem e saibam que desejamos isso.
Mas na prática, nos privamos deste comportamento, pois queremos evitar aquelas cenas que assistimos em restaurantes, shopping, casa dos avós… quando a criança solicita os pais para tudo e é quem deve decidir como tudo deve ser feito.
Essa atitude insatisfeita e exigente da criança que chamamos de mimada vem do fato dela, provavelmente, não se sentir capaz de fazer, realizar, superar situações por ela mesma. Ela se sente dependente do adulto para conseguir coisas que seria capaz de conseguir sozinha na nossa opinião.
Ou desde muito cedo, cabe a ela decidir situações da vida familiar que não lhe deveriam ser delegadas. (Falarei deste ponto em um outro post)
Quando não criamos um ambiente de possibilidade de construção da autonomia, acabamos intervindo desnecessariamente e roubando da criança a experiência e a segurança da conquista. Ela só se realiza através do adulto. Faz sentido para você?
Na tentativa de oferecer o bem para o outro eu atrapalho sua possibilidade de conquista, mantendo-o dependente. Compreendem? Talvez o bem que estou buscando oferecer seja um bem a mim mesmo. Uma tentativa de não ter um trabalho a mais, nao aguentar ver a frustração natural do aprendizado, ou a raiva quando contrariado em uma relação. Para o meu bem eu busco uma forma de evitar, oferecendo à criança uma solução que na verdade trará bem a mim e não a ela necessariamente.
Devemos mimar nossos filhos, devemos ter liberdade de expressar nosso amor, nosso carinho, nosso afeto, de buscar dar-lhe todo o bem possível. Mas guarde sempre essa pergunta: Qual é o bem para a criança na situação? Continua
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