Crise conjugal pós-parto: desafios, tretas e as transformações inevitáveis no relacionamento
Casal 28 de abril de 2021 4 min de leitura

Crise conjugal pós-parto: desafios, tretas e as transformações inevitáveis no relacionamento

Há uma verdade que os manuais de gravidez e as fotos comerciais de família costumam omitir, mas que a psicologia perinatal assina embaixo: toda relação conjugal vive uma crise depois que os filhos nascem.

Durante meses, vocês esperaram juntos por esse momento tão importante. Decidiram os mínimos detalhes, conversaram por horas a fio, sem pressa, para escolher o nome ideal, o plano de parto, a decoração do quarto e cada item do enxoval. O que vocês provavelmente não esperavam era inaugurar o nascimento do bebê com uma crise silenciosa (ou ruidosa) na própria relação.

Será que esqueceram de avisá-los que esse momento viria? Ou vocês acreditaram piamente que a relação de vocês era forte o suficiente para passar imune pelas turbulências do puerpério?

Na prática das clínicas e dos lares, percebemos que é simplesmente impossível não acontecer. O nascimento de um filho altera radicalmente as estruturas. A mulher vive uma crise individual e profunda de identidade; o homem, se “se permitir” sair do papel de mero espectador, também viverá a sua própria crise de transição. Decorrente de toda essa revolução interna, o ecossistema do casal será inevitavelmente impactado.

O que realmente significa estar em crise?

Quando falamos em crise conjugal pós-parto, não estamos dizendo que o relacionamento está fadado ao término ou que haverá necessariamente brigas violentas e hostilidades cotidianas — isso, inclusive, não é saudável em nenhum momento da vida a dois.

A crise de que falamos se manifesta nas pequenas “tretas”, nos desencontros de comunicação, nas expectativas frustradas e em uma sutil disputa invisível para ver quem está mais cansado ou quem está renunciando mais. Esses desafios e ruídos são o que chamamos de crise de desenvolvimento.

Este período é, na verdade, um tempo de adaptação fisiológica, comportamental e emocional. O casal precisa recalcular a rota para atender às necessidades individuais que agora concorrem com as demandas urgentes de um recém-nascido. Quando esses desafios são superados com maturidade, eles não destroem o casamento; pelo contrário, trazem novas e profundas qualidades à relação.

Mesmo enfrentando a tempestade, é fundamental que o casal consiga construir uma narrativa diária que sirva de alicerce para a relação progredir. Se o cotidiano for alimentado apenas por mágoas guardadas, cobranças ácidas e ressentimentos acumulados, fica muito difícil caminhar adiante.

6 atitudes para o parceiro adotar e aliviar a tensão no pós-parto

Para mudar a qualidade da convivência durante esse período tão desafiador, existem 6 atitudes fundamentais e singelas que o pai pode assumir. Elas funcionam como um verdadeiro bálsamo para a mente da mãe e ajudam a reestabelecer a cumplicidade do casal:

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.