Seus amendoados olhos vertiam singelos e brilhantes cristais. Depois de ter tido negado o seu genuíno pedido, a sua forma de expressar o desamparo ficou visível a todos ao redor. E eu? Eu permaneci insensível.
Naquele momento, a raiva aquecia a minha razão. O orgulho e a necessidade de controle só faziam crescer em mim a convicção de que eu estava certa em aniquilar aquele desejo pulsante. Eu tinha os argumentos, eu tinha a lógica, eu tinha a autoridade. Mas eu não tinha a presença.
Agora, com a pequena distância que o tempo me permitiu tomar daquela cena, a armadura caiu. E vertem de mim as suas lágrimas. As minhas não são como cristais; elas nascem para lavar a mágoa por, mais uma vez, não ter envolvido você em meus braços, acolhendo a tua sensibilidade e a tua vontade.
A armadura da sensatez e o preço do controle
Olhando para dentro, eu compreendo a raiz desse movimento. Eu aprendi, ao longo da vida, a ser insensível comigo mesma diante da vida que pulsa da própria vontade. Infelizmente, eu me graduei em contar histórias convincentes para justificar as coisas, para ser sensata, para seguir a lógica linear e manter o controle absoluto de tudo. É uma defesa antiga, mas que cobra um preço alto demais quando descarregada em cima de quem mais amamos.
Por isso, eu sinto muito.
Vou guardar esses cristais amendoados na minha memória. Quero que eles sirvam de farol para iluminar a minha sensibilidade diante da tua vontade, com a esperança eterna de manter as tuas lágrimas sempre assim: límpidas, livres e acolhidas.
Espaço da nossa Aldeia
A parentalidade consciente nos exige, antes de tudo, a coragem de olhar para as nossas próprias sombras e reconhecer quando a nossa necessidade de estar “certa” silencia a dor de um filho.
Você também já se pegou usando a lógica, a rigidez ou a “sensatez” para sufocar o choro ou o desejo do seu filho, percebendo depois que estava apenas repetindo uma insensibilidade que aprendeu a ter consigo mesma? Como tem sido o seu processo de desarmar a razão para abrir espaço para o abraço? Compartilhe a sua verdade nos comentários. Vamos seguir aprendendo juntas a suavizar os nossos passos.


