Às vezes, eu simplesmente não quero ser mãe. E essa vontade é a mais pura verdade.
Ser mãe consome toda a minha energia e preenche cada uma das minhas células. É uma entrega tão bonita quanto avassaladora, onde quase não cabe outra coisa. Eu não me imagino na vida sem os meus filhos. Mas, ainda assim, às vezes eu só queria deixar esse papel de lado por um momento.
Queria poder olhar para qualquer outra coisa que não fosse tão grandiosa e que não exigisse tanta responsabilidade. Eu sei, a gente cresce, a vida adulta chega e não dá mais para ser criança. Mas se eu escolher ser a pessoa sincera e transparente que busco ser, preciso admitir: às vezes, eu não queria ser mãe.
Eu queria apenas umas férias, sabe? Dar uma arejada, usar outras roupas, viver no meu próprio ritmo. Fazer coisas simples, como ir ao banheiro sem ser interrompida porque alguém precisa de ajuda. Dormir sem acordar no susto porque alguém está faminto. Poder ler três páginas seguidas de um livro sem que nenhuma preocupação me puxe de volta.
E veja bem: isso não tem a ver com autocuidado, com “tirar um tempo para si” ou ir ao salão. O buraco é mais embaixo. A vontade é de deixar de lado, por um tiquinho que seja, esse compromisso permanente de cuidar do outro. É sobre pausar a existência desse papel.
Só um pouquinho. Eu sei que, logo em seguida, a saudade me arrebataria e eu não suportaria a falta de ser alguém que transborda tanto amor. Eu desejaria voltar correndo para a vida que tenho hoje. Mas o fato de amar essa vida não anula o peso que ela tem. Talvez, se eu pudesse deixá-la de lado por um instante, a receberia de volta com ainda mais colo, presença e alegria.
Viver a maternidade com honestidade é entender que o cansaço não diminui o amor.
Espaço para a nossa aldeia
Falar sobre o peso da maternidade sem culpa é o primeiro passo para nos acolhermos. Esse cansaço não nos faz menos mães; nos faz humanas.
- Você também já se pegou desejando essa pausa secreta?
- Como você lida com a culpa quando esse sentimento aparece?
Deixe seu comentário aqui embaixo. Vamos construir juntas esse espaço de escuta e acolhimento mudo, onde nenhuma mãe precisa ser perfeita para ser amada.


