Eu não sei por quanto tempo estaremos juntos. Esta frase não é um clichê motivacional ou um pensamento pessimista, mas uma percepção realista e crua da vida tal como ela é.
Essa ficha caiu durante uma caminhada recente. Ao meu lado, passos duros, pesados de protesto e contrariedade. Meu filho expressava, com toda a indignação típica da adolescência, o quanto se sentia aborrecido por “perder” tanto tempo da vida com coisas que simplesmente não o interessavam — referindo-se, obviamente, à rotina e às obrigações da escola.
Diante do desabafo dele, a minha primeira reação foi acionar o piloto automático. Busquei na mente todos os meus recursos internos para interpretar o comportamento, julgar a fala e tentar motivar uma outra percepção na cabeça dele. Eu estava pronta para dar uma lição de moral ou uma explicação lógica sobre o futuro.
No entanto, foi como se um anjo me soprasse algo sutil e divino ao ouvido, dizendo: “Talvez você não saiba por quanto tempo ele estará aqui com você”.
O silêncio que transforma o protesto em desfrute
A dor dessa afirmação clara e avassaladora, que surgiu não sei bem de onde, calou imediatamente a minha boca. Toda a minha estrutura de argumentação desabou. Naquele milésimo de segundo, a minha percepção sobre o que estava acontecendo ali se alterou por completo.
A urgência de corrigir o pensamento do meu filho desapareceu. A pressa de fazê-lo valorizar o colégio deu lugar à consciência de que o presente era tudo o que nós tínhamos. A partir daquele estalo, o protesto dele deixou de ser um obstáculo e se transformou em desfrute — na oportunidade preciosa de estarmos caminhando lado a lado, dividindo a dureza e a verdade dos sentimentos dele.
Nós não controlamos o amanhã. O compromisso da parentalidade consciente na adolescência é garantir que o nosso tempo junto seja um presente real no aqui e agora, seja para pavimentar o futuro, seja para se transformar na lembrança calorosa de um colo que sabia escutar sem tentar consertar tudo o tempo todo.
Espaço da nossa Aldeia
Acompanhar o crescimento dos filhos e a chegada da adolescência nos obriga a encarar o luto do controle e a sutil efemeridade da vida.
Você também já se pegou cortando o desabafo ou o protesto do seu filho com um discurso pronto sobre o futuro, em vez de apenas habitar o momento com ele? Como tem sido o exercício de silenciar a sua voz de comando para simplesmente desfrutar da presença real dos seus filhos, aceitando a vida como ela se apresenta? Deixe a sua reflexão nos comentários e vamos enriquecer a nossa aldeia!


