Na solidão barulhenta da maternidade, muitas vezes eu me perdi em pensamentos que me levavam diretamente à hesitação e ao desmerecimento de mim mesma. Em meio ao caos da rotina, cansei de ansiar por ouvir de fora — de qualquer voz que não fosse a minha — um reconhecimento que trouxesse um pouco de luz e esperança para que eu conseguisse continuar caminhando.
Essa sede desesperada por aprovação externa alimentava uma raiva surda pela condição escravizante do “ter que”. Convenhamos: poucas coisas são mais violentas para o ser humano do que ser privado do direito de tomar as suas próprias decisões cotidianas.
A maternidade, nesse sentido mais cru, nos violenta. Ela aniquila, temporariamente, a nossa autonomia de decidir quando podemos dormir, quando vamos comer ou mesmo em que momento conseguiremos falar ao telefone. Ficamos profundamente abatidas com o peso dessa imposição biológica e social.
O destino da raiva e o espelho do reconhecimento
Naturalmente, nós precisamos direcionar essa raiva acumulada para algum lugar. Às vezes, o alvo é o companheiro; em outros momentos, o cansaço nos faz projetá-la no bebê; e, na maioria das vezes, voltamos essa violência contra nós mesmas, sob a forma de culpa. Lembro-me perfeitamente de que, nesses momentos de pico, eu buscava de qualquer forma uma expressão mínima de reconhecimento e apreciação do mundo ao meu redor.
A grande virada de chave só acontece quando mudamos a direção do olhar.
Hoje, quando consigo reconhecer com toda a sinceridade do meu coração a imensidão de tudo o que sei que uma mãe faz por um filho, posso finalmente reconhecer a mim mesma no meu próprio maternar. A validação que eu tanto esperava de fora precisava nascer primeiro na consciência da minha própria história.
Um abraço na trincheira
Por isso, se você está sentada em uma poltrona agora amamentando no escuro, procurando um pouco de companhia por aqui para não dormir, ou se trancou no banheiro por dez segundos apenas para conseguir respirar em silêncio: receba o meu verdadeiro e profundo reconhecimento.
Eu sou genuinamente grata por todo o cuidado invisível que você dedica ao seu bebê hoje. Cuidar de uma vida nova e garantir o seu contorno afetivo é manter acesa a esperança de que o nosso mundo vale — e continuará valendo — a pena. Eu agradeço, reconheço e celebro o meu e o seu maternar. Você não está sozinha.
Espaço da nossa Aldeia
Aprender a validar a própria dedicação em meio à perda da autonomia é um dos passos mais maduros e difíceis da matrescência.
Você também já se sentiu presa nessa solidão barulhenta, sentindo raiva por não conseguir decidir os atos mais simples do seu dia? Como tem sido o exercício de parar de esperar o aplauso de fora e começar a reconhecer o tamanho da sua própria entrega? Deixe a sua verdade nos comentários. Vamos continuar construindo a nossa aldeia de apoio mútuo!


