Amamentação: o que ninguém te conta sobre os desafios iniciais e o tempo de estabelecer
Amamentação 25 de fevereiro de 2021 4 min de leitura

Amamentação: o que ninguém te conta sobre os desafios iniciais e o tempo de estabelecer

Nenhuma preparação, por mais completa que seja, capacita plenamente os pais para o início da amamentação. Na prática, a realidade se impõe: tudo pode fluir perfeitamente bem desde o primeiro segundo, ou tudo pode se desenhar de forma desafiadora e começar parecendo “errado”.

O início da amamentação é um período complexo, cheio de obstáculos a serem enfrentados e contornados no dia a dia. Tudo isso acontece simultaneamente ao momento em que a mãe tenta se recuperar física e emocionalmente do parto, e o pai ou parceiro acumula uma sobrecarga invisível de afazeres domésticos e logísticos.

Durante a gestação, ansiamos tanto pelo momento do nascimento que a amamentação raramente se torna uma preocupação real. Mas a verdade é uma só: mesmo buscando informação, cursos e conhecimento prévio, não evitaremos completamente que os desafios apareçam.

As variáveis que precisam de harmonia

Pega, apojadura, empedramento, fissuras mamárias, busca por diferentes posições, estresse, cansaço extremo, expectativa e adaptação mútua… São tantas variáveis acontecendo ao mesmo tempo que tentar harmonizá-las exige paciência e, acima de tudo, tempo e privacidade.

O fator fundamental para o início da amamentação é permitir que ela leve o tempo que precisar para se estabelecer. É um processo biológico, mas também psicológico, sensível e único.

Para que as engrenagens funcionem, o estado emocional e físico da mãe precisa estar minimamente favorável. Não se sentir cobrada ou julgada por quem está no entorno, e não duvidar da sua própria capacidade de se adaptar às demandas do bebê, são posturas que favorecem a resiliência para atravessar esse início. Julgar e definir toda a sua jornada de amamentação com base no que acontece nos primeiros dias é de uma injustiça profunda com você mesma.

Dar tempo não significa ficar de braços cruzados

Permitir o tempo necessário para a adaptação não significa ser passiva. É fundamental agir o mais rápido possível assim que perceber que algo não vai bem com a mãe ou com o bebê.

Sabemos que não é óbvio identificar o limiar entre o que é um desconforto da adaptação natural e o momento exato em que a situação começa a se transformar em um “perrengue duradouro”. Por isso, contar com o apoio de um profissional especialista em amamentação — que seja técnico, mas também sensível às dores desse momento — pode ser o divisor de águas da sua jornada.

Não fique refém dos famosos “pitacos”. Embora a intenção de quem está em volta quase sempre seja boa, a amamentação precisa ser avaliada de uma perspectiva clínica e macro. Perder tempo testando soluções caseiras ou palpites de terceiros só aumenta o desgaste.

A desromantização necessária

O início da amamentação não é imediatamente prazeroso como os relatos poéticos costumam sugerir. A amamentação se torna prazerosa e fluida, de fato, após os primeiros meses, quando os desafios anatômicos e emocionais foram superados e a rotina já está estabelecida.

Não precisamos romantizar as dores da maternidade, mas também não podemos deixar de colorir a matrescência com as tintas da realidade e do acolhimento.

Espaço da nossa Aldeia

Como foi ou tem sido o início da amamentação por aí? Você chegou a enfrentar fissuras ou empedramento, ou o processo fluiu com mais facilidade? O suporte profissional fez diferença para você?

Compartilhe a sua história nos comentários. Ouvir relatos reais ajuda a desmistificar o peso que colocamos sobre os nossos primeiros dias com o bebê.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.