Arrependimento e Insegurança: Lidando com a Mãe que Nasceu de Mim
Bem-estar 1 de março de 2021 2 min de leitura

Arrependimento e Insegurança: Lidando com a Mãe que Nasceu de Mim

Eu me arrependi! Quando reconheci que não apreciava o que deveria ser apreciado. Achei que devia desistir, embora fosse tarde.

Foi de forma totalmente ingênua que aceitei esse acontecimento. Mesmo que tivessem me contado, nenhuma narrativa estaria próxima desta realidade tão distinta!

Entre o desespero e a frustração, só conseguia reconhecer a péssima e horrível mãe que tinha nascido de mim.

Definitivamente não sou boa e isso não é pra mim. Quero fugir. Meu único desejo é não estar ali dando o banho, trocando fraldas, vendo o tempo escorrer e contabilizar tudo que deixei de fazer e que seria tão produtivo e reconhecido.

Neste abismo de silêncio e névoa não me reconheço e anseio pelo dia ensolarado que me inspiraram as fotos e os filmes, as histórias de se sentir completa que parecem apenas o conto do vigário.

Mas de repente… um sorriso e um olhar iluminam minha alma e com extrema sensibilidade tateio algum contorno de mim mesma, me entrego e sinto essa expansão de ser mãe.

Talvez eu apenas tenha me perdido de mim mesma, tomada pela grandiosa responsabilidade que aceitei, me deixei de lado e essa parte que falta é a parte que se sensibiliza, que vê com os olhos do amor e do altruísmo.

Me resgato, me trago junto, me acolho assim como acolho meu bebê, que está totalmente entregue e confiante em meus braços.

Por que ele não duvida? Parece ter uma confiança inabalável em seu poder de atração! Como sabe ele que não sairei correndo depois dessas horas todas de embalo?

Qual a lógica de ficar? Se minhas costas doem, e ando quilômetros em dois passos sem chegar a qualquer outro lugar que não seja em mim mesma e na certeza que, mesmo não estando como deveria estar, sou suficiente e certa para estar aqui neste único lugar!

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Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.