Chupetar no peito: uma necessidade afetiva do bebê, não um vício
Amamentação 8 de abril de 2021 3 min de leitura

Chupetar no peito: uma necessidade afetiva do bebê, não um vício

“Não deixe essa criança fazer o seu peito de chupeta!”

Se você já amamentou ou está amamentando, as chances de ter ouvido essa frase da avó, da tia, da vizinha ou de alguma “pitaqueira experiente” expert em bicos artificiais são gigantescas. Esse é um dos conselhos mais repetidos de geração em geração, mas carrega uma inversão de lógica profunda: a chupeta é que tenta ser um substituto do peito, nunca o oposto.

Precisamos deixar claro, de uma vez por todas: chupetar é uma necessidade biológica e emocional do bebê, e permitir que ele faça isso é um dos fatores que mais ajuda na manutenção e no sucesso da amamentação.

O que é a sucção afetiva?

Para além da nutrição física, a amamentação envolve uma dinâmica complexa. Existe a sucção nutritiva (quando o bebê está efetivamente engolindo o leite para matar a fome) e existe um tipo de sucção que o bebê faz focado no prazer, no aconchego e na autorregulação.

E quando ouvimos o espanto alheio — “Mas ele fica horas ali só por prazer?” —, a resposta clínica é: exatamente.

Esse ato de chupetar o peito libera na corrente sanguínea do recém-nascido substâncias e hormônios que oferecem:

 * Relaxamento profundo;

 * Alívio de cólicas e dores;

 * Uma sensação inestimável de entrega, segurança e conforto.

É o que podemos chamar legitimamente de sucção afetiva. É através dela que o bebê, que acabou de sair de um ambiente uterino totalmente protegido, processa o estresse do mundo exterior e se sente seguro.

Não estraga, não vicia e não manipula

Além de todos os benefícios emocionais para a criança, esse estímulo constante no mamilo envia sinais diretos para o corpo da mãe, regulando e aumentando a produção de leite. É a própria natureza garantindo o alimento do dia seguinte.

O peito é seu. Se você está confortável, bem disposta e disponível para que o seu bebê fique ali chupetando, não existe problema nenhum nisso. Não estraga o comportamento da criança, não cria dependência patológica, não gera vício e muito menos se trata de manipulação. Um bebê de poucos meses não tem estrutura cognitiva para manipular ninguém; ele tem apenas necessidades que precisam ser atendidas.

Gradativamente, conforme o sistema nervoso dele for amadurecendo e ele for crescendo, o seu filho passará a se interessar por outras coisas e objetos ao redor que também serão prazerosos. O peito deixará de ser o único refúgio de forma natural.

Até lá, garanta o direito do seu bebê de habitar o único porto seguro que ele conhece.

Espaço da Aldeia

Você também precisou desviar desse palpite logo nos primeiros meses de vida do seu filho? Conta aqui para mim nos comentários como foi lidar com a pressão externa para introduzir bicos artificiais e como você se sentiu ao acolher a sucção afetiva do seu bebê.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.