O nascimento de um filho traz uma avalanche de transformações físicas, hormonais e sociais. Diante de tanta novidade, é fundamental falarmos abertamente sobre saúde mental perinatal, despindo o tema de qualquer tabu ou julgamento.
Quando falamos de transtornos de humor no pós-parto, precisamos compreender que um diagnóstico clínico nunca deve ser validado a partir de um único sintoma isolado ou baseado apenas em uma predisposição familiar. A mente humana é complexa.
Os fatores de risco e os sinais cotidianos devem servir, na verdade, como um termômetro de alerta. Eles são referências úteis para que você consiga perceber rapidamente o que está acontecendo com o seu corpo e com as suas emoções, identificando se precisa de suporte especializado.
Quando o sinal de alerta acende?
É muito importante ficar atenta a alterações persistentes em três pilares básicos da nossa rotina:
- O humor: Tristeza profunda, irritabilidade extrema ou choro sem motivo aparente;
- O sono: Dificuldade extrema para dormir mesmo quando o bebê está dormindo e bem cuidado;
- A alimentação: Perda total de apetite ou compulsão alimentar decorrente da ansiedade.
Se você ainda está gestante e já identifica que algumas dessas situações ou sentimentos estão presentes no seu dia a dia, o caminho ideal é procurar ajuda profissional ainda durante a gestação, utilizando a psicoterapia como uma poderosa forma preventiva.
O termômetro: intensidade e duração
É importante ressaltar e acalmar o seu coração: alterações emocionais oscilantes são esperadas e fazem parte do processo natural de adaptação à nova vida. O estranhamento, o cansaço e a sensibilidade dos primeiros dias (o chamado *baby blues*) são biológicos.
O ponto crucial em que você deve fixar a sua atenção é a intensidade e a duração desses sentimentos. Se você julgar que as suas emoções, medos ou angústias estão desproporcionais à sua realidade prática e não dão trégua após as primeiras semanas, não demore para pedir ajuda.
Depressão não é fraqueza
Precisamos repetir isso quantas vezes forem necessárias: uma mãe que sofre de depressão pós-parto não é uma mãe pior. Ela não é fraca, não é inadequada e isso não significa que ela “não nasceu para a maternidade”. Ela é, simplesmente, uma mãe que está enfrentando uma doença e que precisa de mais apoio, mais cuidado e mais intervenção médica e terapêutica.
Esse suporte deve ser buscado o mais rápido possível. Quando a saúde mental da mãe está fragilizada, a sua capacidade de construir o vínculo primordial com o bebê fica temporariamente prejudicada. Dependendo da duração e da intensidade do quadro, esse distanciamento involuntário pode acabar comprometendo também o desenvolvimento e a segurança emocional da criança.
Tratar a sua dor com julgamento só vai deixar você e o seu bebê ainda mais vulneráveis. Entenda que você não está sozinha, não precisa carregar o mundo nas costas e é plenamente possível receber ajuda para voltar a enxergar a luz na caminhada.


