Nenhuma mãe, agindo a partir do seu sentir mais autêntico, hesitaria em manter o seu bebê nos braços ao ouvi-lo chorar. Quando a dúvida se instala diante desse gesto tão primitivo, ela geralmente não nasce da mãe. Essa hesitação é alimentada por palpites e pressões externas ou pelas memórias de uma infância em que o próprio choro do adulto não encontrou espaço para ser acolhido.
São esses ruídos que se interpõem entre a inclinação natural de garantir a sobrevivência física e emocional do recém-nascido e a necessidade biológica que o bebê tem de proteção, calor e contato contínuo.
A biologia do apego e o mito do bebê “mal-acostumado”
O tempo passado no colo oferece o ecossistema ideal para o desenvolvimento neurológico e psicológico da criança. É justamente a oportunidade de vivenciar e esgotar essa dependência inicial da mãe que fornecerá a base e a segurança necessárias para as futuras conquistas de autonomia.
Diferente do que repete o senso comum, o colo não deixa o bebê mal-acostumado. A lenda cultural de que atender prontamente ao choro estraga a criança revela, na verdade, a pressa e a dificuldade do adulto em lidar com as demandas expressas da infância. Quando somos forçados a ignorar essas necessidades, a criança acaba abrindo mão de se expressar para conseguir coexistir dentro daquilo que ela percebe que é a expectativa dos pais.
O risco do “bebê perfeito” que não dá trabalho
Uma postura parental que tolera e valida o filho apenas quando ele se comporta como um bebê “bonzinho” — aquele que dorme a noite inteira sem interrupções, não chora e não demanda esforço — não está espelhando a identidade real daquela criança. Está, em vez disso, alimentando uma ilusão de conveniência para o adulto, cujo preço pode ser um sofrimento psíquico silencioso por toda a vida adulta.
Se o seu filho reivindica o seu colo e o seu contato físico, não enxergue isso como uma afronta, um vício ou uma manipulação. Reconheça nesse protesto a força vital que existe nele; um comportamento biológico perfeitamente adequado para se manter saudável de corpo e alma.
O colo e o aconchego encontram o seu sentido maior no agora. É através do preenchimento da dependência que desabrocha o desejo saudável e espontâneo de independência. Um organismo que teve as suas necessidades de base plenamente saciadas não desejará permanecer estagnado na dependência; ele ganhará asas para explorar o mundo no tempo certo.
Espaço da nossa Aldeia
Sustentar o colo contra o julgamento de quem diz que você está “mimando” o seu filho exige uma enorme firmeza interna e clareza sobre o desenvolvimento infantil.
Você já se pegou dividida entre o seu desejo de acolher o seu filho no colo e o medo de estar agindo de forma prejudicial por conta dos comentários alheios? Como foi perceber que o colo, longe de prender, é o que liberta a criança para crescer com segurança? Deixe o seu relato nos comentários!


