Conflitos entre irmãos: respeito, acordos e a visão parental sobre o “dedo-duro”
Parentalidade 3 de maio de 2019 3 min de leitura

Conflitos entre irmãos: respeito, acordos e a visão parental sobre o “dedo-duro”

Volta e meia as crianças interrompem o que estou fazendo para delatar o comportamento de algum dos irmãos. É uma dinâmica clássica de quem tem mais de um filho em casa e que, para a maioria dos adultos, costuma ser um tanto exaustiva e irritante.

Nesses momentos de interrupção, é quase imediato: ouço lá no fundo a voz ecoada da minha própria infância dizendo de forma ríspida: “— Pare de ser dedo-duro! Vá cuidar da sua vida!”. No entanto, decidi conscientemente não reproduzir esse padrão automático. Eu já conheço de perto o resultado dessa resposta e sei que ela apenas gera distanciamento, silenciamento e ressentimento entre os irmãos.

Em vez de calar a queixa com uma bronca, passei a refletir sobre o cenário e escolhi nomear a necessidade subjacente de quem estava me trazendo a questão. Mudei as respostas para perguntas de conexão:

O silêncio que revela confiança

Para mim, a rotina ficou infinitamente mais leve. Quando mudei a chave, percebi que as crianças se sentiram validadas e acolhidas em suas preocupações. A partir daí, pudemos seguir com as nossas experimentações diárias de convivência com muito mais fluidez.

O maior ganho colateral desse processo foi a oportunidade de rever as frases e as posturas que ouvi na infância, escolhendo a dedo as que ainda me servem e ressignificando corajosamente aquelas que prejudicam as relações.

Ao limpar o julgamento, passei a enxergar a verdade das crianças: elas são profundamente leais aos combinados familiares e zelam, do jeito delas, pelo bem-estar e pela ordem um do outro. Que bom que eles vêm até mim para falar as coisas. Longe de ser uma fofoca ou uma perturbação, hoje eu entendo esse movimento como um voto sagrado de confiança na minha mediação de conflitos.

Espaço da nossa Aldeia

Aprender a traduzir as queixas dos nossos filhos nos ajuda a enxergar que, por trás de uma cara feia ou de uma delação, quase sempre existe um pedido por contorno, justiça e segurança.

Como você costuma reagir quando os seus filhos vêm “contar histórias” ou reclamar uns dos outros para você? Você consegue silenciar as respostas automáticas da sua própria infância para tentar escutar qual é a real necessidade de segurança ou de limites que aquela criança está trazendo? Deixe a sua experiência nos comentários. Vamos continuar ressignificando as nossas reações juntas na nossa aldeia!

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.