A necessidade da criança “teimosa”: liberdade, autoria e colaboração
Desenvolvimento 26 de abril de 2019 3 min de leitura

A necessidade da criança “teimosa”: liberdade, autoria e colaboração

Afinal de contas, qual é a verdadeira necessidade por trás de quem “teima”?

A minha reflexão clínica e materna é que as pessoas rotuladas como “teimosas” carregam, na verdade, uma necessidade visceral de liberdade e de espaço para tomarem as suas próprias decisões. O indivíduo considerado teimoso não costuma contrariar a decisão em si, mas sim o fato de não ter sido ele o autor da escolha. O conflito não é sobre o o quê, mas sobre o quem.

Reflito muito sobre isso porque, com o Ayssô, cansei de entrar em embates desgastantes na rotina. Bastava eu pedir ou orientar qualquer coisa para que a resposta viesse pronta, rápida e na ponta da língua: “— Não!”.

Confesso que, no início, eu ficava extremamente reativa diante dessa recusa. E, claramente, se eu não fizesse uso da minha inteligência emocional e do meu referencial técnico, a tendência automática seria cair na armadilha de acreditar que ele deveria simplesmente me obedecer pelo uso da força ou da autoridade.

No entanto, a minha necessidade profunda de respeitá-lo como indivíduo me motivou a silenciar o orgulho, tentar entender o que estava oculto e procurar soluções reais. Foi nessa pausa que percebi a engrenagem: quando eu reformulo a abordagem e dou a ele o espaço e a liberdade para decidir como e quando agir, ele muda da água para o vinho. O Ayssô se torna um menino super colaborativo, as resistências caem e a rotina flui com leveza.

O comportamento como espelho

Os comportamentos desafiadores e as barreiras que as crianças nos impõem na convivência diária nunca são gratuitos. Eles são sempre possibilidades sagradas de iluminarmos algo que ainda está na sombra dentro de nós mesmos — seja a nossa própria rigidez, o nosso medo de perder o controle ou as heranças de uma educação autoritária.

A verdadeira colaboração não nasce da submissão cega; nasce do espaço de respeito. Na foto que acompanha este texto, você vê a construção minuciosa de uma cidade inteira — um projeto que exigiu uma dose gigante dessa “teimosia” saudável, dessa persistência e da autonomia em cada pequeno gesto.

Espaço da nossa Aldeia

Aprender a transformar ordens rígidas em escolhas compartilhadas é o caminho mais seguro para conquistar a cooperação dos filhos sem precisar quebrar a sua força de vontade.

Você tem alguma criança de personalidade forte e “teimosa” na sua casa que testa os seus limites e te obriga a sair do piloto automático do comando? Como tem sido para você o exercício de dar opções de escolha para o seu filho em vez de apenas impor ordens diretas na rotina? Compartilhe as suas descobertas nos comentários. Vamos continuar desvendando as necessidades dos nossos pequenos juntas na nossa aldeia!

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.