Afinal de contas, qual é a verdadeira necessidade por trás de quem “teima”?
A minha reflexão clínica e materna é que as pessoas rotuladas como “teimosas” carregam, na verdade, uma necessidade visceral de liberdade e de espaço para tomarem as suas próprias decisões. O indivíduo considerado teimoso não costuma contrariar a decisão em si, mas sim o fato de não ter sido ele o autor da escolha. O conflito não é sobre o o quê, mas sobre o quem.
Reflito muito sobre isso porque, com o Ayssô, cansei de entrar em embates desgastantes na rotina. Bastava eu pedir ou orientar qualquer coisa para que a resposta viesse pronta, rápida e na ponta da língua: “— Não!”.
Confesso que, no início, eu ficava extremamente reativa diante dessa recusa. E, claramente, se eu não fizesse uso da minha inteligência emocional e do meu referencial técnico, a tendência automática seria cair na armadilha de acreditar que ele deveria simplesmente me obedecer pelo uso da força ou da autoridade.
No entanto, a minha necessidade profunda de respeitá-lo como indivíduo me motivou a silenciar o orgulho, tentar entender o que estava oculto e procurar soluções reais. Foi nessa pausa que percebi a engrenagem: quando eu reformulo a abordagem e dou a ele o espaço e a liberdade para decidir como e quando agir, ele muda da água para o vinho. O Ayssô se torna um menino super colaborativo, as resistências caem e a rotina flui com leveza.
O comportamento como espelho
Os comportamentos desafiadores e as barreiras que as crianças nos impõem na convivência diária nunca são gratuitos. Eles são sempre possibilidades sagradas de iluminarmos algo que ainda está na sombra dentro de nós mesmos — seja a nossa própria rigidez, o nosso medo de perder o controle ou as heranças de uma educação autoritária.
A verdadeira colaboração não nasce da submissão cega; nasce do espaço de respeito. Na foto que acompanha este texto, você vê a construção minuciosa de uma cidade inteira — um projeto que exigiu uma dose gigante dessa “teimosia” saudável, dessa persistência e da autonomia em cada pequeno gesto.
Espaço da nossa Aldeia
Aprender a transformar ordens rígidas em escolhas compartilhadas é o caminho mais seguro para conquistar a cooperação dos filhos sem precisar quebrar a sua força de vontade.
Você tem alguma criança de personalidade forte e “teimosa” na sua casa que testa os seus limites e te obriga a sair do piloto automático do comando? Como tem sido para você o exercício de dar opções de escolha para o seu filho em vez de apenas impor ordens diretas na rotina? Compartilhe as suas descobertas nos comentários. Vamos continuar desvendando as necessidades dos nossos pequenos juntas na nossa aldeia!


