Estresse infantil: como ajudar as crianças a gerenciar e liberar o sofrimento
Desenvolvimento 26 de outubro de 2020 4 min de leitura

Estresse infantil: como ajudar as crianças a gerenciar e liberar o sofrimento

O estresse, em termos gerais, é tudo aquilo que causa uma “bagunça” ou desequilíbrio no funcionamento normal do nosso corpo. Falando de forma mais técnica, o estresse é qualquer estímulo que interfere na homeostase — o estado de equilíbrio dinâmico — do organismo.

Na infância, esse estresse pode se manifestar de duas formas principais:

É claro que o papel dos pais envolve buscar atenuar e prevenir as grandes fontes de estresse na vida dos filhos. No entanto, é fundamental sabermos que um certo nível de estresse é absolutamente inevitável. Aprender, crescer, tentar e não conseguir de primeira, nascer, adaptar-se à amamentação… tudo isso inclui uma dose natural de sofrimento e frustração.

Nesse sentido, a nossa missão não deve ser a de proteger totalmente os filhos de qualquer situação estressante, mas sim a de ajudá-los a gerenciar as suas emoções diante delas.

As 4 vias de liberação do estresse

Para que o organismo da criança consiga se libertar do estresse acumulado e recuperar o seu equilíbrio perdido, a natureza humana oferece quatro alternativas ou mecanismos de descarga:

O choro nos bebês: acolhimento versus abandono

No caso dos recém-nascidos e dos bebês pequenos, o cenário muda: eles ainda não possuem a fala, o brincar simbólico ou o riso social estruturado para processar grandes tensões. Por isso, a única ferramenta que lhes resta para evacuar o estresse é o choro.

Diante de um recém-nascido que chora, a nossa primeira atitude é escutar o seu protesto e checar as suas necessidades imediatas (fome, fralda, frio, calor). Mas, se mesmo após o atendimento físico o bebê continuar chorando, precisamos aceitar esse choro como uma resposta natural, saudável e biológica daquele organismo para reencontrar o bem-estar.

Aqui mora a diferença crucial que todo pai e toda mãe precisam compreender:

Deixar o bebê chorar sozinho e isolado, sem a presença de um cuidador, eleva drasticamente a circulação dos hormônios do estresse (como o cortisol) no organismo dele, gerando desamparo. Por outro lado, acolher o bebê no colo enquanto ele chora, oferecendo a sua presença e o seu amparo, está no extremo oposto do abandono. O choro no colo cura; o choro no isolamento traumatiza.

O choro faz parte do desenvolvimento e merece um lugar de profundo respeito e contorno na relação que está se estabelecendo entre a criança e os seus cuidadores.

Espaço da nossa Aldeia

Aprender a sustentar o choro de descarga de um filho sem se desesperar ou tentar calá-lo à força é um dos maiores exercícios de autoeducação e resiliência para os adultos.

Você consegue diferenciar aí na sua rotina quando o choro do seu filho é um pedido de socorro por uma necessidade física ou quando é apenas o transbordar de um dia estressante? Como o seu corpo reage quando você precisa apenas “ser o colo” enquanto eles descarregam?

Compartilhe a sua reflexão nos comentários. Vamos continuar transformando as nossas dores em uma rede de liberdade e acolhimento mútuo.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.