O estresse, em termos gerais, é tudo aquilo que causa uma “bagunça” ou desequilíbrio no funcionamento normal do nosso corpo. Falando de forma mais técnica, o estresse é qualquer estímulo que interfere na homeostase — o estado de equilíbrio dinâmico — do organismo.
Na infância, esse estresse pode se manifestar de duas formas principais:
- Estresse físico: diretamente ligado ao corpo e ao atendimento das necessidades básicas, como a fome, o cansaço/privação de sono e a dor.
- Estresse psicológico ou emocional: disparado por sentimentos complexos como o medo, a angústia, a decepção, a confusão, a frustração, a raiva, a tristeza, o desamparo, a solidão, a insegurança ou a humilhação.
É claro que o papel dos pais envolve buscar atenuar e prevenir as grandes fontes de estresse na vida dos filhos. No entanto, é fundamental sabermos que um certo nível de estresse é absolutamente inevitável. Aprender, crescer, tentar e não conseguir de primeira, nascer, adaptar-se à amamentação… tudo isso inclui uma dose natural de sofrimento e frustração.
Nesse sentido, a nossa missão não deve ser a de proteger totalmente os filhos de qualquer situação estressante, mas sim a de ajudá-los a gerenciar as suas emoções diante delas.
As 4 vias de liberação do estresse
Para que o organismo da criança consiga se libertar do estresse acumulado e recuperar o seu equilíbrio perdido, a natureza humana oferece quatro alternativas ou mecanismos de descarga:
- 1. A fala: verbalizar o que sente e nomear a angústia.
- 2. A fantasia: processar o sofrimento através do brincar simbólico e do imaginário.
- 3. O riso: descarregar a tensão através da comicidade e do relaxamento físico.
- 4. O choro: a via biológica mais primitiva de alívio emocional.
O choro nos bebês: acolhimento versus abandono
No caso dos recém-nascidos e dos bebês pequenos, o cenário muda: eles ainda não possuem a fala, o brincar simbólico ou o riso social estruturado para processar grandes tensões. Por isso, a única ferramenta que lhes resta para evacuar o estresse é o choro.
Diante de um recém-nascido que chora, a nossa primeira atitude é escutar o seu protesto e checar as suas necessidades imediatas (fome, fralda, frio, calor). Mas, se mesmo após o atendimento físico o bebê continuar chorando, precisamos aceitar esse choro como uma resposta natural, saudável e biológica daquele organismo para reencontrar o bem-estar.
Aqui mora a diferença crucial que todo pai e toda mãe precisam compreender:
Deixar o bebê chorar sozinho e isolado, sem a presença de um cuidador, eleva drasticamente a circulação dos hormônios do estresse (como o cortisol) no organismo dele, gerando desamparo. Por outro lado, acolher o bebê no colo enquanto ele chora, oferecendo a sua presença e o seu amparo, está no extremo oposto do abandono. O choro no colo cura; o choro no isolamento traumatiza.
O choro faz parte do desenvolvimento e merece um lugar de profundo respeito e contorno na relação que está se estabelecendo entre a criança e os seus cuidadores.
Espaço da nossa Aldeia
Aprender a sustentar o choro de descarga de um filho sem se desesperar ou tentar calá-lo à força é um dos maiores exercícios de autoeducação e resiliência para os adultos.
Você consegue diferenciar aí na sua rotina quando o choro do seu filho é um pedido de socorro por uma necessidade física ou quando é apenas o transbordar de um dia estressante? Como o seu corpo reage quando você precisa apenas “ser o colo” enquanto eles descarregam?
Compartilhe a sua reflexão nos comentários. Vamos continuar transformando as nossas dores em uma rede de liberdade e acolhimento mútuo.


