Peso e desenvolvimento do bebê: evite comparações e celebre o ritmo de cada fase
Desenvolvimento 6 de maio de 2021 3 min de leitura

Peso e desenvolvimento do bebê: evite comparações e celebre o ritmo de cada fase

Acreditar piamente que existe um peso exato, uma medida ideal ou um dia certo para cada conquista do desenvolvimento faz com que os pais sofram de forma desnecessária. Essa busca por um padrão rígido cria uma expectativa matemática que dificilmente os bebês da vida real conseguirão corresponder.

Diante disso, os consultórios de pediatria e psicologia são inundados pelas mesmas dúvidas angustiantes: “Meu bebê é normal?”, “Ele está dentro dos parâmetros?”, “Ele vai ser muito magrinho ou gordinho?”.

Se colocarmos lado a lado dois bebês da mesma idade com biotipos completamente distintos, a ciência nos mostra que, muito provavelmente, ambos estão com o peso e o desenvolvimento perfeitamente certos. O problema real nunca esteve na biologia da criança, mas sim no hábito cultural de olhar para um filho sempre em comparação ao outro. Infelizmente, essa atitude competitiva e ansiosa tende a se estender para todos os aspectos da infância.

A ilusão da precocidade nos marcos motores

Tomemos como exemplo o marco de começar a andar. Existem bebês que dão os seus primeiros passos firmes aos 10 meses de vida; outros vão fazer isso apenas com 1 ano e 5 meses. Estamos falando de uma janela de quase meio ano de diferença entre os dois.

Clinicamente, precisamos ser enfáticos: não existe nenhuma vantagem ou desvantagem em começar a andar antes. Dar os primeiros passos mais cedo não demonstra precocidade neurológica e tampouco sinaliza uma capacidade intelectual maior no futuro. É apenas o ritmo do relógio biológico daquela criança se manifestando.

Especialmente antes dos três anos de idade, as diferenças físicas e motoras entre crianças da mesma faixa etária são discrepantes e perfeitamente saudáveis. É óbvio que a individualidade humana continua ao longo de toda a vida — e deveríamos ter isso sempre em mente —, mas é na primeiríssima infância que essas distâncias ficam mais visíveis e aparentes, assustando os pais que estão presos às médias das tabelas.

O valor da harmonia e da segurança no movimento

Dentro da perspectiva do desenvolvimento integral, o fator mais importante nunca será a idade exata em que a criança adquiriu certas posturas ou habilidades. O que verdadeiramente importa é que ela tenha a chance de passar por todas as etapas evolutivas — como arrastar, sentar, engatinhar e se levantar — e executá-las com harmonia, autonomia e segurança emocional.

A aquisição do movimento precisa acontecer no próprio tempo da criança, respeitando a sua maturação cerebral e muscular, que é totalmente individual.

Quando os adultos tentam apressar ou “treinar” um bebê para atingir um marco antes da hora, estão apenas gerando estresse e pulando fases fundamentais de organização espacial e corporal.

Um convite ao olhar de presença

Mudar a chave da comparação para a contemplação é o melhor remédio contra a ansiedade parental. Em vez de gastar energia comparando o seu filho com o bebê do vizinho ou com os relatos perfeitos das redes sociais, use a sua presença para observar os pequenos e diários milagres do desenvolvimento dele.

Cuidar do patrimônio emocional do seu filho também significa protegê-lo do peso das suas expectativas e celebrar, com calma e entusiasmo, a beleza do ritmo dele.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.