Antes dos meus filhos nascerem, eu não gostava do Papai Noel e tampouco achava graça no coelhinho da Páscoa. Celebrar o meu próprio aniversário era algo que não tinha a menor importância para mim. O nascimento e a morte eram encarados apenas como eventos mecânicos e naturais da biologia.
Eu era assim: não reconhecia a possibilidade de dar valor a situações e eventos que me pareciam corriqueiros. Os dias eram rigorosamente iguais, os anos passavam em uma velocidade automática e as pessoas simplesmente atravessavam a minha vida. Olhando para trás, era uma existência sem gosto, sem molho, sem perfumes e, acima de tudo, sem milagres.
Até que os filhos chegaram. E, com eles, pequenos eventos da rotina foram ganhando um gosto especial, um entusiasmo novo e um prazer sutilmente transcendente. Diante dessa mudança interna, comecei a me perguntar o que havia de diferente.
O segredo não é o evento, é a devoção
Refletindo profundamente, descobri que o segredo não estava nas situações em si, mas sim na intenção de quem oferecia o momento. O cuidado minucioso e a devoção genuína são os reais fios condutores que nos transportam para uma existência muito mais sutil, rica e colorida.
Foi assim que eu passei a reviver as mesmíssimas situações do calendário sob uma perspectiva completamente nova. Compreendi que ritualizar e celebrar são movimentos psíquicos de completude. São ritos que trazem para a nossa existência concreta possibilidades e qualidades nobres que, de outra forma, jamais experimentaríamos.
Essa combinação precisa entre intenção e ação — ou de um gesto físico que nasce repleto de sentido abstrato — tem o poder de nos conectar com as maiores virtudes humanas. Esse movimento traz para a vida um propósito claro, um fluxo contínuo, uma conexão verdadeira e um estado de presença profundamente compartilhado. É como se entrássemos em ressonância e nos afinássemos, de uma vez por todas, com a nossa comunidade, com a nossa família e com o próprio universo.
As crianças como portais de presença
No fim das contas, são as nossas decisões e as nossas percepções diárias que nos dão a permissão de viver nessa realidade reencantada. E as crianças? Elas são as nossas parceiras incondicionais e guias nessas experiências. Os nossos filhos trazem de volta a alegria pura, a expectativa mágica, a realização e o contentamento com o que é simples. Cabe a nós, adultos, aproveitar essa rica possibilidade enquanto eles são pequenos.
Para desdobrarmos essa conversa e investigarmos juntos o poder dos rituais familiares, convido você para o nosso encontro presencial.
Espaço da nossa Aldeia
Você também sentiu que a maternidade ou a paternidade resgataram o brilho de datas que você já tinha deixado esquecidas no passado? O que mudou no seu olhar sobre as celebrações depois que os seus filhos nasceram?
Compartilhe a sua reflexão nos comentários e garanta a sua vaga para o nosso encontro de sábado. Vamos continuar transformando as nossas dores em uma rede de liberdade e acolhimento mútuo.


