Essa prática tão corriqueira em hospitais, consultórios e círculos familiares de chamar as mulheres que estão dando à luz, ou que acabaram de ter seus bebês, de “mãezinha” deve ser abolida imediatamente e para sempre.
À primeira vista, o diminutivo pode parecer afetivo, carinhoso ou acolhedor. No entanto, quando analisamos o pano de fundo dessa linguagem, percebemos que ela opera um mecanismo perigoso: ela infantiliza a mulher e diminui o seu tamanho. Precisamos lembrar que, para a delicada relação de fusão emocional que se inicia entre a díade, só pode existir uma criança na cena — e ela definitivamente não é a mãe.
O perigo de tratar a mãe como um ser menor
Se nós somos o entorno dessa mulher — seja como profissionais de saúde, parceiros, familiares ou rede de apoio —, o nosso papel exato deve ser o oposto do apagamento. Nós precisamos:
- Enaltecer a sua potência e a sua força visceral;
- Validar a sua capacidade intrínseca de aprender a se adaptar ao seu próprio bebê;
- Encorajá-la a experimentar suas próprias soluções na lida diária.
Tratar uma recém-mãe através de diminutivos paternalistas a coloca, inconscientemente, em um lugar de submissão e inferioridade, como se ela fosse um ser incapaz que precisa ser constantemente conduzido, guiado por manuais rígidos ou que desperta a piedade alheia.
As mães são plenamente capazes de cuidar de suas crias quando são reconhecidas, incentivadas e apoiadas a ocupar esse lugar de autoridade na vida do filho.
A verdadeira função da rede de apoio
O papel fundamental da rede de apoio e de toda a equipe profissional que acompanha uma mulher no puerpério é acreditar na construção da sua autonomia e na sua realização pessoal diante desse novo capítulo que a vida apresenta.
Nós devemos, sim, oferecer todas as ferramentas, informações baseadas em evidências e recursos práticos para que as suas experiências sejam bem-sucedidas. Mas precisamos ter a clareza e a humildade de entender que a única protagonista desse sucesso é a mãe, e não quem está ao redor dando palpites.
Romper com o termo “mãezinha” e devolver a essa mulher o seu nome, o seu espaço e a sua dignidade de adulta é o primeiro passo para que ela possa acessar a força necessária para guiar o seu bebê com segurança.
Espaço da nossa Aldeia
Você já se sentiu incomodada ao ser chamada de “mãezinha” durante a sua gestação ou no hospital? Como foi para você a luta para manter o seu nome e a sua identidade vivos depois do nascimento dos seus filhos?
**Compartilhe a sua experiência aqui nos comentários.** Vamos conversar sobre a importância de sermos vistas por inteiro.


