“Quem pariu Mateus que embale.”Este dito antigo, de origem bíblica, nunca ecoou tanto em meus ouvidos, quanto depois que recebi este relato, justamente quando falávamos de rede de apoio.
Pesquisei um pouco a origem da expressão que vem de um trecho bíblico, quando Jesus parece se arrepender, mas não vou me aprofundar nesse ponto. Vou me ater ao significado que a expressão remete.
A mensagem que ele quer transmitir é: Você criou o problema assuma a responsabilidade por ele!
É uma expressão usada em vários meios para responsabilizar o autor de ideias, ou propostas que se mostrem descabidas ou inválidas em um tempo futuro. Porém quando dita para pais que acabaram de ter seus bebês, a mensagem chega como uma sentença. -“Vocês criaram um problema e agora lidem com ele sozinhos. Não temos nada a ver com isso, nossos problemas resolvemos quando o tivemos.”
Quantas gerações de recém pais vem sendo abandonadas para que assumam sozinhos seus problemas. Essa mensagem afasta, isola. Não cria um sentimento de aldeia que tanto falamos que é necessário para garantir a qualidade da relação de vínculo. Não abre a chance dos pais pedirem o que precisam, pois não tem o direito de incomodar.
Será mesmo que um filho deve ser visto como um problema que não diz respeito a ninguém mais que aos pais? Numa aldeia, quando nasce uma criança nasce uma esperança de continuidade e todos são interessados em garantir que a vida de certo para a mãe e para o bebê.
Quantas situações tomam proporções irreversíveis por influência de uma crença implícita como essa? Os pais não tem direito de pedir ajuda. Se o fizerem estão delegando a responsabilidade e o direito sobre seu filho? Não estou sugerindo de forma alguma que os pais não são os responsáveis por seus filhos. Devem ser! Precisam amadurecer para assumir este lugar, mas não necessariamente fazer isso sozinhos, sem apoio.
Só conseguimos fazer mudanças a partir da consciência. Eu me comprometo a não mais passar essa frase adiante nem alimentar essa crença! Você vem comigo? Vamos criar nossa aldeia e celebrar a esperança de cada família que nasce?
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