A voz das mães: ser ouvida em causas transformadoras
Autoconhecimento 6 de abril de 2021 2 min de leitura

A voz das mães: ser ouvida em causas transformadoras

Você já tentou falar sobre um assunto muito importante e transformador e ninguém te deu ouvidos, ou não te levou a sério?
Quando eu voltei para o Brasil em 2008, falar sobre humanização no nascimento era praticamente falar sozinha. Nessa época eu gritei muito para que mulheres e profissionais da saúde me ouvissem e acreditassem na força e sabedoria de gestar e parir. Foi um momento ativista. Fui vaiada em congresso de obstetrícia! Não tinha problemas com isso.
Para abordar qualquer assunto eu tinha que me embasar e convencer. O que me favorecia era a experimentação dando certo pela segunda vez, pois tudo que eu falava eu vivia de forma intensa e radical com meus filhos.
Meu maternar era meu campo de batalha, e minha voz era pouca. Até que de forma gradativa outras vozes foram fazendo coro com meus gritos e eu pude baixar o tom. Outras personalidades foram assumindo a batalha e eu pude suavemente me retirar. Até me sumir por completo e quase desistir da causa.
Até que em 2018, num encontro muito emocionante pra mim, encontrei cinco enfermeiras obstetras que sabiam dialogar sem briga, sem batalha e mesmo assim com muitas conquistas. Nesse momento me senti a vontade para mudar minha atuação.
Dez anos depois eu ja não precisava mais convencer ninguém e não me sentia sozinha. Quando reconheci que a humanização para o parto estava garantida pude orientar meu trabalho a dar suporte às mulheres depois que os filhos nasciam.
Ao mesmo tempo que essas parteiras gestavam a primeira casa de parto privada do país eu gestava o Parentallab. Foi uma parceria virtuosa e frutífera que eu agradeço até hoje e para sempre.
O ativismo ainda vive na crença de que cada mãe é a mãe certa para seu bebê e que os bebês para se desenvolverem só não podem ser atrapalhados. Você também compartilha dessa crença poderosa, ou precisa de uma ajudinha?

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.