O colo que nutre: a importância do aconchego e o mito do bebê “mal-acostumado”
Amamentação 17 de março de 2021 3 min de leitura

O colo que nutre: a importância do aconchego e o mito do bebê “mal-acostumado”

Se permita uma experiência simples, mas profundamente transformadora: tenha o seu colo sempre disponível para o seu bebê.

Nenhuma mãe, em sua plena essência e conexão, se submeteria voluntariamente à dúvida de permanecer ou não com seu filho nos braços. Quando hesitamos, geralmente não é o nosso instinto falando. São as vozes e os palpites externos, ou até mesmo uma dolorosa e rígida experiência na nossa própria infância, que se interpõem entre o que realmente importa: a necessidade da mãe de garantir a sobrevivência física e emocional do seu bebê, e a necessidade de proteção, calor e contato que a criança tem.

O colo como base para a autonomia

O tempo que o bebê passa no colo oferece o ambiente neurobiológico ideal para o desenvolvimento infantil. Mais do que um capricho, o colo é o espaço seguro onde a criança experimenta a dependência absoluta da mãe — e é justamente essa segurança que sustentará, no futuro, as suas conquistas de autonomia.

É na dependência saudável que surge o desejo real da independência. Uma pessoa que foi plenamente atendida e acolhida em suas necessidades não deseja permanecer dependente.

Deixar o bebê no colo não o deixa “mal-acostumado”. Essa lenda urbana que nos transmitiram de geração em geração fala muito mais sobre a incapacidade e o despreparo do adulto em atender às necessidades legítimas da criança do que sobre o comportamento do bebê.

Quando somos rígidos demais, corremos o risco de fazer com que a criança abra mão de sua necessidade fundamental de afeto para poder continuar existindo naquilo que ela reconhece como a expectativa da mãe.

O perigo de exigir um “bebê bonzinho”

Precisamos olhar com muita cautela para a busca incessante pelo “bebê perfeito”. Uma dinâmica familiar que permite apenas que o filho seja “bonzinho” — aquele que dorme a noite toda sem reclamar, não chora e não dá trabalho — não está espelhando a verdadeira essência da infância.

Muitas vezes, esse comportamento dócil esconde uma ilusão que sustenta o sofrimento e a repressão emocional para o resto da vida adulta.

Se o seu filho reivindica o seu colo, o seu cheiro e o seu contato de forma expressiva, não enxergue isso como manha ou manipulação. Reconheça a força vital que existe nele. Esse é o comportamento biologicamente adequado e esperado para que ele se mantenha saudável de corpo e alma.

Deixa no colo agora, porque a hora é essa!

Não tenha medo de acolher. O colo regula os batimentos cardíacos, acalma o sistema nervoso do bebê e constrói o que a psicologia chama de apego seguro. Os anos passam depressa e a janela de tempo em que eles precisam desse refúgio físico é curta.

Abrace, acolha e sustente. O colo de hoje é a raiz da segurança de amanhã.

Espaço da nossa Aldeia

Você já teve que respirar fundo para ignorar o famoso palpite de que “o seu colo vai viciar o bebê”? Como foi para você romper com essa expectativa externa e confiar no seu instinto de acolhimento?

Conte a sua experiência aqui nos comentários. Vamos fortalecer essa rede de apoio mútuo!

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.