Ela esqueceu um coração de plástico. Deixou-o largado com um desapego apaixonado.
Eu preferia me desfazer daquele objeto e deixá-lo se perder no esquecido. São tantas coisas para arrumar e organizar, não havia nenhum conjunto para agregar aquele intrigante tesouro. Mas uma profunda reflexão me habitou, me trouxe um detalhe importante para a convivência, acompanhado por um desconcertante arrependimento por haver permitido tal pensamento.
Permiti me deslocar deste lugar que ocupo, onde tudo tem que ter coerência e agrupamento e procurei olhar com seus olhos infantis.
Ela certamente não via apenas um coração de plástico, mas um tesouro para ser cuidado e visitado esporadicamente. Uma memória de um instante eterno. Sempre vivendo o encontro como uma surpresa e magia.
Fiquei imaginando a agradável sensação de ter alguém cuidando das pequenas coisas que lhe são tão caras e que obviamente quando criança, largamos e depois desejamos, mas nos faltam as palavras e a memória para pedir, procurar e encontrar.
Que gostosura ter esses tesouros cuidados por alguém que vê e entende a preciosidade para muito além do gesto impulsivo.
Naquele coração largado, reconheci a possibilidade de mostrar a ela que eu cuido do que ela valoriza, possivelmente ela nem o valorize tanto quando o vir novamente, mas saberá que meu zelo e carinho foram presentes.
Tão verdadeira essa reflexão, que momentos depois ela encontrou um desenho há muito tempo feito e guardado, e abraçando-o disse que estava com saudade. Proporcional ao #apego e essas simplicidades vejo o desprender-se de coisas que muitas vezes eu valorizo muito mais do que ela.
#Criandocomapego #empatia #parentalidadeconsciente


