Existe, sem sombra de dúvida, uma grande quantidade de homens que ainda acredita que assumir de fato a paternidade é uma escolha opcional na vida. Certamente, esses são indivíduos que permanecem na posição de filhos eternamente protegidos pelas suas famílias de origem. É uma verdadeira lástima. Eles estão abrindo mão de dar a sua grande contribuição e suporte para um fenômeno tão transformador na vida de uma criança.
Por outro lado, existe também uma ala de homens presentes e genuinamente desejosos de exercer a sua paternidade. São homens pacientes, afetuosos e atentos, mas que frequentemente acabam sendo desqualificados pelas “mães perfeitas”.
São as mães autossuficientes, aquelas que acreditam saber fazer tudo exatamente e da única forma que o bebê precisa, recusando-se a confiar em qualquer outra pessoa. Curiosamente, são essas mesmas mulheres que mais se queixam do cansaço e de não terem ao lado alguém que adivinhe as suas necessidades ou que saiba executar as tarefas domésticas — desde que seja, claro, rigorosamente conforme as suas orientações e comandos.
Essas mães acumulam argumentos de sobra para alimentar a raiva silenciosa que surge em direção ao companheiro que, sob a ótica delas, “não sabe de nada”. O efeito colateral dessa postura é devastador: com isso, elas impedem que os próprios filhos recebam o amor e o cuidado desse pai presente. Um cuidado que é diferente do materno, sim, mas que também é profundamente afetuoso, divertido, protetor e engraçado.
O amor não autorizado e a separação dos papéis
Existe claramente um círculo vicioso de causa e consequência nessa dinâmica conjugal que nós apenas reproduzimos no piloto automático. Quantas de nós não crescemos ouvindo as nossas próprias mães desqualificando e diminuindo os nossos pais dentro de casa? Como nós, enquanto filhas, pudemos receber esse amor paterno que não era autorizado pela dinâmica familiar, um afeto que nos era tão vital e, ao mesmo tempo, tão dificultado?
Para romper esse ciclo, precisamos de maturidade clínica e emocional para separar as estações:
Companheiros insuficientes não são, necessariamente, pais insuficientes. É fundamental aprender a separar a relação conjugal da relação parental.
A dinâmica do casal pode estar atravessando crises e desencontros, mas o direito da criança de acessar o vínculo com o pai precisa ser preservado e blindado das disputas de ego dos adultos.
Espaço da nossa Aldeia
Dar espaço para que o pai exerça a paternidade com o seu próprio estilo exige que a mãe desapegue do controle absoluto e suporte a diferença na forma de cuidar.
Você já se pegou criticando a maneira como o seu parceiro cuida dos filhos só porque ele faz as coisas de um jeito diferente do seu? Como tem sido na sua casa o exercício de separar os conflitos do casal para permitir que o vínculo entre o pai e as crianças cresça saudável e livre?
Se você quer falar mais sobre isso ou conhece alguém que se sentiria acolhida ou provocada a amadurecer lendo esta reflexão, marque essa pessoa nos comentários. Essa interação e troca de experiências são fundamentais para o fortalecimento do meu trabalho e da nossa aldeia!


