A perspectiva da volta ao trabalho é, desde o início, um momento gerador de grande estresse e ansiedade para a mãe. Ela passa um tempo precioso da licença se perguntando e se questionando sobre como será esse evento.
A verdade nua e crua é que muitas mulheres não veem a hora de esse dia chegar. Ficar tanto tempo disponível para atender, de forma ininterrupta, as demandas urgentes de um bebê não é algo confortável para a sua estrutura. Naturalmente, essa mãe se cerca de equipes e pessoas de apoio para conseguir construir uma realidade paralela à necessidade de fusão do seu bebê. Para ela, o trabalho funciona como uma fuga saudável e vital para a sua própria sobrevivência emocional. E está tudo bem.
Para outras mulheres, no entanto, a simples ideia de imaginar deixar o seu bebê sob os cuidados de qualquer outra pessoa dói profundamente. É uma dor sentida na carne. Ela quer estar presente, está visceralmente vinculada e não consegue conceber que outra pessoa seja capaz de cuidar tão bem da sua cria quanto ela mesma.
O que dizer diante de realidades tão distintas? A verdade é que a vida prática está quase sempre distante do ideal romântico que desejamos.
A busca por justificativas e o critério real
Muitas vezes, as mulheres que desejam voltar logo ao mercado buscam conselhos e validações que as liberem antecipadamente das consequências de suas decisões. Por outro lado, as mulheres que desejam desesperadamente ficar em casa buscam argumentos teóricos que, ironicamente, as fazem sofrer ainda mais a dor da separação inevitável.
A grande conquista dos tempos atuais é que hoje nós temos a liberdade de escolha. E o critério fundamental que deveria ser ponderado em qualquer uma dessas situações é um só: a necessidade básica e o bem-estar do bebê estão sendo atendidos?
O trabalho externo não compromete a nossa capacidade de amar, de nutrir o vínculo e de estarmos profundamente conectados com os nossos filhos nos momentos em que estamos juntos. Da mesma forma, estar permanentemente presente em termos físicos dentro de casa não é uma garantia absoluta de que a conexão esteja mantida ou de que as necessidades afetivas da criança estejam sendo de fato supridas. Presença física não é sinônimo de disponibilidade emocional.
Sejam genuinamente livres em suas escolhas maternas. No fim das contas, quem nos diz se está tudo bem ou não é o comportamento e a saúde do próprio bebê. Façam as suas escolhas conscientes das consequências que colherão — para o bem ou para o mal. Adultos são responsáveis pelas suas decisões e pela reparação dos seus caminhos.
Espaço da nossa Aldeia
Equilibrar a identidade profissional com a entrega que a maternidade exige é um dos caminhos mais complexos de se trilhar, exigindo contorno e acolhimento mútuo entre as mulheres.
Como foi ou está sendo para você o processo de retorno ao trabalho após o nascimento dos seus filhos? Você viveu esse momento como uma retomada necessária da sua individualidade ou como um processo doloroso de separação? Compartilhe a sua realidade e os seus desafios nos comentários. Vamos continuar construindo essa rede de apoio e trocas reais na nossa aldeia!


