O verdadeiro sentido das festas: memórias afetivas e a construção do patrimônio emocional da criança
Parentalidade 20 de novembro de 2020 3 min de leitura

O verdadeiro sentido das festas: memórias afetivas e a construção do patrimônio emocional da criança

O que faz uma data qualquer do calendário ganhar importância, peso e significado? Existe, de fato, uma forma considerada “correta” de vivenciar as datas festivas de Natal e final de ano? Que sentido real essas celebrações têm para você hoje e quais caminhos elas podem abrir para a sua família?

Certamente, o sentido profundo, o valor invisível e o símbolo contido nos pequenos detalhes são as únicas coisas capazes de nos preencher internamente. São esses rituais que saciam a nossa vontade mais elementar de conexão, presença e pertencimento, sob um ponto de vista muito mais amplo e transcendente do que a mera troca de presentes.

Devoção familiar versus consumo vazio

Precisamos encarar uma verdade incômoda: fomos ensinados a substituir a presença pelo objeto. No entanto, a psicologia e a autoeducação nos mostram um caminho inverso e muito mais econômico para a alma:

Quanto mais devoção, intenção e presença real trouxermos para esses momentos familiares, menos precisaremos investir monetariamente em objetos comerciais. Objetos que, na maioria das vezes, tornam-se esquecidos em poucos dias e passam a acumular em nosso lar como verdadeiros pesos mortos.

As crianças não precisam de excessos materiais para se sentirem amadas; elas precisam de rituais previsíveis, de olhos nos olhos e de uma atmosfera familiar que comunique: “nós pertencemos uns aos outros e este momento é sagrado para nós”.

O patrimônio invisível da infância

Nós podemos — e devemos —, desde muito cedo, proporcionar aos nossos pequenos memórias afetivas que sejam repletas de significado próprio. O cheiro da comida no forno, a música que só toca nessa época, o ato de montarem juntos um cenário, ou a história contada à luz de velas antes de dormir.

Esse lugar abstrato e quentinho na memória é o que irá se tornar, no futuro, o maior patrimônio do seu filho. É justamente nessas lembranças de conexão que o adulto de amanhã vai encontrar a sua fortaleza de existência, o seu senso de importância no mundo e a certeza absoluta de que é digno de amor. As festas de fim de ano são a oportunidade perfeita para pavimentar essa estrutura interna.

Espaço da nossa Aldeia

Desacelerar a corrida das compras para focar na entrega afetiva e nos rituais de conexão exige que a gente rompa com muitas expectativas sociais e comerciais.

Que tipo de memória ou pequeno ritual você deseja que fique gravado no coração dos seus filhos quando eles pensarem nas festas de fim de ano da infância? Você já percebeu os brinquedos acumulados virando “peso morto” por aí enquanto eles preferiam brincar com a caixa ou com a presença de vocês?

Compartilhe a sua reflexão nos comentários. Vamos continuar transformando as nossas dores em uma rede de liberdade e acolhimento mútuo.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.