— Filho, o que é obediência?
— É fazer o que você quer que eu faça, mesmo que eu não queira fazer!
— E respeito?
— É fazer o que você pediu porque eu concordo!
Depois de uma conversa tão cirúrgica como essa, fechei os olhos e fiquei refletindo sobre o quanto a obediência cega pode ser um processo profundamente alienante. Exigir que uma criança simplesmente obedeça, sem espaço para o diálogo, me parece uma violência enorme. No fundo, é pedir para que ela abra mão de uma certeza sobre si mesma em nome do desejo do outro. É a velha lógica da hierarquia rígida e do patriarcado reproduzida na mesa da cozinha.
O respeito, por outro lado, caminha em uma direção completamente oposta. Ele não habita a engrenagem do medo ou da submissão; o respeito é motivado pela confiança real que se estabeleceu desde o início da vida.
Ele floresce quando os pais ou cuidadores se mostram dignos desse sentimento porque estiveram genuinamente conectados com as necessidades da criança, mantendo a intenção constante de lhe proporcionar bem-estar e contorno afetivo.
O preço da submissão e o grito da adolescência
Tenho a absoluta certeza de que, quando as crianças se sentem respeitadas em sua individualidade, elas aprendem a respeitar de volta de forma natural. É assim que as relações familiares se estabelecem em harmonia, sem cabo de guerra ou disputas de ego, mas através de diálogos que contemplem as diversas necessidades daquela casa.
Por outro lado, as crianças que são sistematicamente obrigadas a obedecer sentem-se violentadas em sua autonomia. Com o tempo, elas acumulam rancor, desconfiança e perdem cada vez mais a vontade orgânica de colaborar com o coletivo. Algumas se tornam resignadas, boazinhas demais, perdendo completamente a conexão com as próprias vontades e instintos.
O problema é que essa conta cobra o seu preço mais tarde. Quando a adolescência chega, o jovem frequentemente precisa expressar toda a sua revolta acumulada para conseguir se diferenciar e sobreviver. E sejamos sinceras: adolescentes não toleram hipocrisia.
Acabar com o abuso de poder no mundo é uma revolução silenciosa que começa, obrigatoriamente, dentro de casa. Somos todos responsáveis pela atmosfera que criamos no lar e, portanto, perfeitamente capazes de liderar essa mudança.
Parando para pensar friamente: você gosta de obedecer? Sente que isso é natural para o ser humano? E o respeito? Você acredita que alguém é capaz de impor o respeito, ou ele é algo que a gente inspira através da confiança? Vale a pena silenciar o piloto automático para pensar sobre isso.
Espaço da nossa Aldeia
Substituir o grito de comando pela escuta ativa exige desapegar do controle e suportar o tempo do diálogo com os nossos filhos.
Como tem sido a dinâmica na sua casa quando as regras precisam ser cumpridas? Você ainda se pega acionando o “porque eu estou mandando” ou tem conseguido construir o caminho do respeito e da concordância com os seus filhos? Eles colaboram pelo medo da punição ou pela força do vínculo? Deixe a sua verdade nos comentários. Vamos desarmar os abusos de poder juntas nesta aldeia!


