Relato ParentalLab – De Ana Paula Borges Carrijo, médica de família e comunidade.
Sobre o grupo de mães conduzido pela querida Luciana Lima, sinto que foi o nosso respiro em meio à pandemia. Tivemos os bebês 3 meses antes da quarentena começar, e digo que vivemos um “puerpério ao quadrado” – ficamos isoladas, exaustas e receosas. A pandemia trouxe a nós, mães recentes, uma solidão ainda mais profunda na licença maternidade. Sem rede, perdemos nosso planejamento de cuidado compartilhado com a família, para um dia-a-dia alerta, sem pausas, e voltado à “sobrevivência”. O “grupo VI da Parental lab” representou, semanalmente, aconchego, encontro, afeto e reconhecimento mútuo. A Lu, com sua atitude acolhedora e objetiva, nos trazia a serenidade para olhar para os desafios como fases, a serem oportunizadas pra aprendermos com os nossos bebês. Com o passar dos meses percebemos que todas fomos amadurecendo enquanto mães e coletivo. Gostamos tanto daquele cantinho virtual, que sentimos a necessidade de prolongarmos a duração do grupo, e acabamos optando por não finalizá-lo. Lu precisou sair, para acolher as novas mães, mas nós continuamos, numa espécie de autogestão, chamando os nossos encontros de “terças afetivas”. Aprendemos com as histórias umas das outras e nos sentimos seguras a continuar o nosso processo de dialogar sobre nós e os desafios da parentalidade. Indico muitíssimo para as mães – não fiquem sozinhas, troquem com quem está na mesma fase que você, nutram-se da parceria uma das outras. O puerpério é complexo, a gente aprende a “pedir ajuda” e a repetir o mantra “vai passar”, mas se eu pudesse deixar aqui uma dica, seria: permita-se se surpreender com a potência de um grupo de mulheres.
Bom, tem mais um aspecto que gostaria de enfatizar. Apesar de eu ser profissional de saúde, a minha trajetória de nascer e tornar-me mãe desconstruiu meus pressupostos teóricos para atravessar este momento de forma vivencial. Esse desapego foi vital para que eu me entregasse a cada fase, de forma intuitiva e criativa, mas menos racional. Acolher essa dimensão do processo, deixando aflorar novos sentidos, foi potente e libertador, inclusive para que agora eu me sinta uma


