Mesmo contemplando a maravilha do gesto espontâneo de um filho que se desenvolve livre pelo mundo, inúmeras vezes me vi acompanhada por uma voz incômoda. Ela surgia de surpresa e, mesmo diante das cenas mais belas de exploração da infância, sussurrava: “O chão é sujo!”, “Isso é perigoso!”, “O que as outras pessoas vão pensar ao ver um bebê tão pequeno sujo de terra?”.
No início, eu tentava espantar esses pensamentos como quem afasta moscas. Mas, assim como os insetos, essas vozes têm um poder de insistência irritante. Não havia alternativa a não ser encontrar uma forma de exterminá-las do meu convívio diário. Foi assim que descobri que o único inseticida eficiente para esvaziar e calar essas vozes era colocá-las sob um profundo questionamento.
Desarmando o medo com perguntas simples
Em vez de apenas brigar com o pensamento ou tentar ignorá-lo, passei a confrontá-lo. Quando a voz interna dizia que o chão era imundo, eu perguntava a mim mesma, com a curiosidade e a simplicidade de uma criança: “Por quê? O que exatamente nessa sujeira vai causar um dano real agora?” Se a voz alertava que era perigoso, eu rebatia: “Qual é o perigo real e concreto aqui? É um risco de vida ou é apenas o meu desconforto com a bagunça?”.
Nessas contestações diretas, os argumentos neuróticos e os julgamentos herdados socialmente simplesmente não se sustentavam. Sem base racional ou afetiva para se apoiar, as vozes perdiam a força e se dissipavam, permitindo que eu as repelisse — pelo menos temporariamente.
O extermínio do que nos rouba a felicidade
A verdade nua e crua é que essas vozes não deixarão de nos incomodar por completo. As moscas sempre encontram um jeito de voltar, não é? Sobre o surgimento desses pensamentos invasivos, nós não temos controle. No entanto, nós podemos, sim, desenvolver habilidades e ferramentas de extermínio contra tudo aquilo que tenta comprometer a nossa certeza de criação e a nossa felicidade familiar.
Existe uma beleza indescritível na vida que acontece de forma espontânea, livre e inspirada na infância. Não permita que o medo, as convenções sociais e as dúvidas que chegam sem convite contaminem a sua segurança sobre as suas verdadeiras, conscientes e intuitivas escolhas.
Espaço da nossa Aldeia
Aprender a silenciar o tribunal interno e o olhar do vizinho para deixar a criança brincar na terra é um dos maiores atos de libertação materna.
Qual é a “mosca” ou a voz intrusiva que mais costuma rondar a sua cabeça quando o seu filho está simplesmente explorando o mundo? Você já tentou aplicar a estratégia de fazer perguntas simples para ver se esse medo se sustenta na realidade?
Compartilhe a sua reflexão nos comentários. Vamos continuar transformando as nossas dores em uma rede de liberdade e acolhimento mútuo.


