Rede de apoio no puerpério: a importância de se conectar com outras mães
Apoio 22 de abril de 2021 3 min de leitura

Rede de apoio no puerpério: a importância de se conectar com outras mães

Você provavelmente já sabe — ou ouviu falar — que o seu puerpério terá uma qualidade de vida infinitamente superior se você puder contar com uma rede de apoio estruturada em torno de você e da sua nova família.

Embora a sociedade moderna nos empurre para os desafios de um isolamento social presencial, a necessidade humana de comunidade permanece viva. Nós precisamos, mais do que nunca, nos conectar com quem partilha das mesmas vivências.

É uma realidade comum: quando os nossos filhos nascem, o nosso círculo de amigos muitas vezes muda de configuração. As conversas antigas parecem perder o sentido imediato e tomam outros rumos. De repente, os nossos interesses mais urgentes estão voltados a descobrir como outras famílias conseguiram resolver os exatos mesmos problemas que estamos enfrentando na madrugada.

Sentimos uma necessidade vital de compartilhar as nossas pequenas descobertas cotidianas e, acima de tudo, de constatar que aquilo que enxergávamos como um problema crônico é, na verdade, perfeitamente normal e não acontece só na nossa casa.

A mágica da identificação: desfazendo idealizações

As nossas expectativas rígidas e as idealizações românticas sobre a maternidade se desfazem como em um passe de mágica quando ouvimos outras mulheres narrando os mesmos dilemas que os nossos, seja de forma mais leve ou mais intensa. Há um alívio neurológico e emocional profundo em não se sentir pioneira na angústia.

No entanto, é preciso fazer uma ressalva importante sobre o tipo de apoio que buscamos. Relações saudáveis e verdadeiramente terapêuticas não têm a pretensão de criar uma “seita” — onde só pertence quem segue regras rígidas e faz tudo exatamente igual. O que fortalece as famílias em suas escolhas soberanas sobre a criação dos filhos é o respeito à diversidade de caminhos.

Muitas vezes, as referências que trazemos da nossa família de origem não correspondem à forma como queremos trilhar a nossa própria parentalidade. Para romper com padrões transgeracionais, teremos que estar muito seguras em nossas escolhas, inclusive para assegurar aos que vieram antes que estamos dispostas a assumir as consequências por nossas próprias tentativas e erros.

A aldeia não cai do céu: ela é construída

A nossa aldeia não cai pronta do céu e não está esperando por nós em algum lugar previsível. Somos nós, mulheres e mães, que precisamos atraí-la ativamente para perto. Fazemos isso através dos nossos interesses, das nossas escolhas conscientes e, essencialmente, pela coragem de partilhar a crueza e a beleza deste momento tão especial.

Esses são os laços duradouros que vejo se criarem diariamente nos grupos do **ParentalLab**. Mulheres diversas, vindas de contextos diferentes, com suas próprias histórias e valores, mas que se unem em um propósito comum: reconhecer, acolher e celebrar o maternar umas das outras, sem julgamentos.

A nossa aldeia vem crescendo de forma suave, consistente e profunda, como a raiz de árvores fortes e frondosas que sustentam a vida e dão muitos frutos.

Se você está vivenciando a travessia do puerpério e deseja encontrar mais leveza, construir amizades reais e compartilhar as angústias e os deleites dessa fase com o suporte de profissionais capacitados, o seu lugar é aqui.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.