A Folia Emocional das Crianças no Início do Ano Escolar
Desenvolvimento 16 de fevereiro de 2021 3 min de leitura

A Folia Emocional das Crianças no Início do Ano Escolar

Nada se parece tanto com uma folia de Carnaval quanto o coração das crianças nesse início de ano. Você também conseguiu sentir essa vibração por aí?

Quem tem filhos em idade escolar certamente observou um turbilhão de sentimentos nas últimas semanas: momentos de extrema euforia alternados, quase sem aviso, com crises de insegurança e silêncio. É a expectativa gritante de rever os amigos e recuperar a convivência caminhando lado a lado com o receio invisível de se manter firme nos protocolos exigidos para garantir que esses encontros continuem acontecendo.

Muitas mudanças profundas atravessaram a vida dos pequenos nos últimos tempos. Adaptações severas foram impostas ao ritmo natural da infância e à espontaneidade que deveria ser a regra do brincar. A verdade é que nós, adultos e profissionais, ainda estamos tateando as consequências emocionais de tudo isso.

Acolhendo os foliões internos

Diante desse cenário de incertezas e repressão de impulsos, criar um ambiente familiar que de fato garanta a expressão dessa “folia interna” pode ser o maior suporte que podemos oferecer. As crianças precisam de espaço seguro para conseguir reconhecer, nomear e se familiarizar com esses foliões sentimentais que habitam seus peitos — a alegria, o medo, a ansiedade, a saudade.

O nosso papel como pais é dar tempo e contorno. Um tempo para que as manifestações das crianças sejam consideradas legítimas, e um tempo de presença adulta para apoiá-las a chegar, com segurança, na sua própria quarta-feira de cinzas.

A quarta-feira de cinzas aqui funciona como aquele pouso necessário. É o momento de desacelerar a euforia, recolher as cinzas do cansaço e continuar, de forma suave, o processo de retorno à rotina e ao ritmo estruturante do dia a dia.

Viver o carnaval na alma

Para nós, brasileiros, acostumados com a catarse coletiva das ruas, os últimos tempos não têm sido de extravasar. Têm sido anos de comedimento, de recolhimento e de muito aprendizado. Fomos convidados a aprender a viver o Carnaval na alma, no recôndito da nossa casa e na intimidade da nossa família.

Seguimos desejando que, no tempo certo, o bloquinho das crianças possa sair livremente pelas calçadas, sem amarras ou medos. Enquanto esse dia não chega por completo, aproveitemos cada pausa necessária na rotina para assentar o confete, acolher o choro e acomodar as emoções sob o nosso olhar atento.

Espaço da nossa Aldeia

A transição de ritmos — entre as férias, o isolamento e o retorno às aulas — mexe profundamente com a estabilidade dos pequenos.

Como foi a dinâmica das emoções na sua casa recentemente? Você percebeu alguma mudança marcante ou comportamento diferente nas crianças diante dessas idas e vindas?

Compartilhe a sua história nos comentários. Vamos continuar transformando as nossas dores em uma rede de liberdade e acolhimento mútuo.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.