Movimento e descoberta: o papel essencial do corpo e do chão no desenvolvimento infantil
Desenvolvimento 15 de fevereiro de 2021 3 min de leitura

Movimento e descoberta: o papel essencial do corpo e do chão no desenvolvimento infantil

Movimentar o próprio corpo é o canal que permite à criança adquirir novas experiências no mundo. É através do movimento que, pouco a pouco, ela vai descobrindo a si mesma, testando seus limites e reconhecendo o ambiente ao seu redor.

Tudo começa de forma simples: deitado de barriga para cima, em uma superfície firme que proporcione o atrito suficiente para não atrapalhar a exploração (como um bom tapete no chão), o bebê inicia sua jornada para vencer a força da gravidade.

Nessa fase inicial, cada gesto que parece aleatório aos olhos do adulto vai, na verdade, adquirindo significado e importância crucial para a etapa que sucederá.

A base emocional para o êxito ou para a inadequação

O que muitos pais não imaginam é que essa exploração física é a fundação da saúde mental do futuro adulto.

Se essa exploração motora for bem-sucedida e livre de interferências desnecessárias, o bebê constrói uma estrutura emocional sólida voltada para o êxito, a segurança e a autoconfiança.

Por outro lado, se o processo for mal-sucedido — seja por falta de espaço, uso excessivo de equipamentos que limitam o movimento ou pela pressa do adulto em adiantar fases —, a consequência psicológica pode ser o desenvolvimento de uma dependência emocional e uma constante sensação de inadequação.

Cada desenvolvimento humano, assim como cada desabrochar na natureza, se assemelha a uma inflorescência: cada etapa tem seu tempo, seu ritmo e sua beleza próprios. Embora cada bebê tenha suas peculiaridades e seu próprio tempo, reconhecemos que existe um caminho comum a todo ser que se verticaliza. Cada pequena conquista é um degrau estruturante.

Milhares de anos de evolução no chão da sala

Foram necessários milhares de anos de evolução filogenética para que a nossa espécie desenvolvesse um repertório suficiente de movimentos que nos garantem a adaptação ao meio ambiente.

Rolar, “minhocar”, rastejar, engatinhar e, finalmente, manter-se equilibrado sobre os dois pés não são meros marcos em uma tabela pediátrica. São etapas fundamentais do desenvolvimento motor.

Essas conquistas físicas estão diretamente relacionadas — como causa e consequência — à maturação cerebral e à criação de um arcabouço emocional saudável, autônomo e integrado. Para que esse milagre da evolução aconteça na sua casa, o adulto não precisa “ensinar” o bebê a andar ou sentar. É apenas necessário dar-se o tempo e as condições adequadas (espaço seguro e chão) para que o movimento aconteça de forma natural.

Espaço da nossa Aldeia

Colocar o bebê no chão e confiar na sua capacidade de explorar e evoluir sozinha pode ser um desafio para a nossa ansiedade de pais.

Como tem sido a exploração motora por aí? O seu bebê tem tempo de chão livre ou você sente a tentação de colocá-lo sentado ou de pé antes da hora? Deixe suas dúvidas e experiências aqui nos comentários. Vamos continuar investigando o desenvolvimento livre juntos!

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.