Ninguém espera encontrar uma mãe triste com o bebê no colo. Também o pai não deveria se sentir triste. Mas, há tristeza também entre a troca de fraldas, os arrotos, os embalos, as horas que se passam no relógio e não trazem nada novo no dia. Os lábios sorriem e os olhos marejam.
As recém mães não estão tristes porque amam mais do que imaginavam, não porque são o que há de mais importante na vida de outra pessoa. Não é sua nova realidade que traz o aperto no peito.
Não sei se há razão para a tristeza e se precisamos justificá-la. Não deveríamos! Mas ela está lá, nas fotos e lembranças. Ela é uma visita imponente no puerpério. Assim como o êxtase, o estado de graça, a tristeza está presente, mesmo que tentemos disfarçá-la. Não há erro em sua inesperada presença.
A tristeza pode ser acolhida, cuidada, mas deve ser uma apenas uma visita, não um convidado de honra. Se ela se delonga e começa a convidar a desesperança a participar de sua estadia, podemos desconfiar de sua natural intenção e, com apoio, convidá-la a encontrar o seu devido lugar. Antes do despejo é claro, podemos perguntar se se demora pois traz alguma importante mensagem consigo. Com coragem podemos escutá-la e deixá-la partir.
Provavelmente estes pais que têm hoje em seus braços um filho, por mais esperado e planejado que tenha sido, se despedem de uma vida anterior segura, bem sucedida, que os garantiu chegar até aqui. Essas renúncias são enlutadas e precisam de tempo para serem apenas boas narrativas de um passado cheio de memórias.
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