O dia em que precisei parar para me curar: O que o meu explante de silicone me ensinou sobre rede de apoio e maternidade
Bem-estar 27 de setembro de 2022 2 min de leitura

O dia em que precisei parar para me curar: O que o meu explante de silicone me ensinou sobre rede de apoio e maternidade

Há algum tempo, precisei encerrar e iniciar um importante ciclo na minha vida. Tomei a decisão de fazer o explante de silicone e recuperar a minha saúde, que já estava sofrendo e dando sinais claros de esgotamento.

Quando a cirurgia passou, o alívio foi imediato: voltar a respirar sem sentir dores que eu já havia “normalizado” no meu dia a dia foi um divisor de águas. Mas, para além da saúde física, esse processo me trouxe uma das maiores lições práticas sobre o que defendo todos os dias no meu trabalho terapêutico.

Ninguém se cura sozinha: A rede de apoio em movimento

Muitas vezes, nós, mães, achamos que precisamos dar conta de tudo de forma isolada. Mas viver essa cirurgia me obrigou a praticar o que eu tanto converso com as famílias no consultório: mapear necessidades, pedir ajuda e aceitar o cuidado do outro.

Para que eu pudesse recuperar minha saúde, uma engrenagem linda precisou se mover. Meu marido soube ouvir minhas queixas e me ajudar a encontrar um caminho; minha mãe assumiu os cuidados mais íntimos e práticos; minha irmã e amigas seguraram as pontas emocionais nos momentos mais turbulentos; e os profissionais de saúde fizeram as perguntas certas que despertaram em mim uma luz que estava ofuscada.

Até mesmo as crianças participaram desse ecossistema, exercitando a paciência e o cuidado comigo durante o pós-operatório.

O maior exemplo para os nossos filhos é a nossa autogentileza

Compartilhar essa jornada não é apenas sobre um procedimento cirúrgico. É sobre lembrar que, para nutrir, conter e orientar nossos filhos, precisamos primeiro estar inteiras.

Quando decidimos escutar o nosso corpo, parar de romantizar o sofrimento e buscar a cura, estamos ensinando aos nossos filhos — na prática — o real significado de autocuidado e limites.

Que possamos, todos os dias, ser cada vez mais gentis com os nossos próprios limites, entendendo que pedir ajuda não nos faz fracas, mas sim profundamente humanas.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.