Desapego emocional na maternidade: abrindo espaço para o novo na Páscoa
Bem-estar 11 de abril de 2022 3 min de leitura

Desapego emocional na maternidade: abrindo espaço para o novo na Páscoa

Quando pensamos em acúmulo, a mente quase sempre nos direciona para armários cheios, objetos sem uso e excesso de bens de consumo. No entanto, existe um tipo de acúmulo invisível e muito mais pesado que carregamos no dia a dia: o das nossas cargas emocionais.

Sem perceber, vamos guardando sentimentos que não foram devidamente expressos ou elaborados — mágoa, rancor, ciúme, raiva e sensações profundas de injustiça.

Esses sentimentos poluem silenciosamente nossos corpos e nossas relações. Mais do que isso, eles alteram drasticamente a nossa percepção da realidade. Quando estamos intoxicados por esse mal-estar interno, passamos a operar em um viés defensivo, buscando a todo momento fatos e comportamentos alheios que justifiquem a dor que já estamos sentindo. É um ciclo que se retroalimenta.

O peso extra no maternar

A experiência da maternidade e do cuidado com os filhos é um terreno onde esse acúmulo acontece com muita facilidade. No puerpério e ao longo do desenvolvimento dos filhos, nos deparamos com a nossa versão mais fragilizada, sensível, instável e exausta. Falta energia psíquica e tempo para gerenciar o que fazer com a enxurrada de sentimentos que nos atravessa.

Além do cansaço físico, há uma exaustão oculta que vem das expectativas ideais e impossíveis que alimentamos durante tanto tempo — tanto sobre nós mesmas quanto sobre as pessoas que nos rodeiam (parceiros, familiares e amigos). Quando a realidade não dá conta do idealizado, a frustração se instala e começa a ocupar espaço.

Deixar fluir: um convite à autorregulação

Se você percebe que essa dinâmica tem operado em alguma relação importante da sua vida hoje, vale a pena parar e fazer um diagnóstico honesto:

 * Uma conversa franca e madura pode ajudar a alinhar as coisas?

 * Ou o caminho saudável agora é simplesmente silenciar e deixar ir?

Será que você consegue parar de nutrir voluntariamente esses sentimentos? É possível abrir mão do controle ou do direito à mágoa para que algo genuinamente novo possa surgir — nas suas relações com os outros e, principalmente, na relação consigo mesma?

Sabemos que, quando estamos exaustas, a nossa energia não parece disponível para esse tipo de resolução ou DR (discussão de relacionamento). Exige esforço desapegar daquilo que já nos é familiar, mesmo que seja doloroso. No entanto, o bem-estar e a leveza que experimentamos após uma atitude de liberação como essa compensam o investimento. Limpar o terreno nos liberta e abre espaço para fazermos novas escolhas e pedidos muito mais objetivos e saudáveis.

O significado da renovação

Como bem lembra a imagem, a Páscoa simboliza o encerramento de um ciclo para o nascimento de outro. Que tal aproveitar esse momento de transição para olhar para dentro e avaliar o que precisa ser deixado para trás?

Aceita esse desafio de renovação? Qual desses sentimentos tem ocupado espaço demais por aí e o que você gostaria de colocar no lugar dele?

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.