Maternidade e Saúde Mental: A Escolha de Cuidar de Si Mesma
Bem-estar 10 de agosto de 2021 2 min de leitura

Maternidade e Saúde Mental: A Escolha de Cuidar de Si Mesma

Imaginem eu vir até vocês anunciando: “Vou desistir de criar meus filhos a partir de hoje. Preciso cuidar da minha saúde mental!”

Como vocês reagiriam? O que aconteceria se no momento de cansaço extremo sua declaração de que não aguenta mais, fosse levada a sério?! Acho esse hipotético exercício muito válido para nos trazer a realidade de que, por mais que não pareça, escolhemos estar nesta relação.

Adoro o esporte, pois ele permite que se revelem aspectos nobres da nossa humanidade, assim como na religião. Sem colocá-las numa mesma categoria, são experiências que nos forçam a ser além do que sabemos sobre nós mesmos. Assim reconheço também o maternar para mim e para tantas outras mulheres que invocam minha admiração.

Não estou trazendo esse tema para questionar ou julgar a decisão de uma atleta. Existe um contexto, uma história de vida que só conhecemos parcialmente e consequências que provavelmente não serão divulgadas pela mídia, depois que essa onda passar.

Se a questão fundamental desta temática é a saúde mental preciso fazer um alerta. Desistir não cura. Desistir adia a oportunidade de entrar em contato com partes bastante desconfortáveis da vida e que precisamos aprender a integrar. A frustração, a vulnerabilidade, a imperfeição, a decepção, a impotência pode, para algumas pessoas proporcionar uma experiência devastadora e para outras uma oportunidade de integração, expansão e aceitação, no esporte, na religião, no maternar ou na vida.

Houve momentos muito difíceis que vivi no meu próprio maternar e que acompanho na vida de muitas mulheres. Suponho que a impossibilidade de desistir trouxe uma chance de transformação real, nada fácil e simples, mas profunda e estruturante. O fim do túnel. Aquela contração dolorida e necessária para uma nova vida.

A saúde mental deve ser promovida através de estratégias para o autocuidado, autoconhecimento e um ambiente de segurança emocional para que se possa entrar em contato com sentimentos desagradáveis. Desistir nos mantêm nessa tortura de estar onde nunca estivemos sob nossas luzes ou sombras.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.