A mãe que conseguimos ser: abandonando o ideal para celebrar a realidade
Bem-estar 31 de janeiro de 2020 3 min de leitura

A mãe que conseguimos ser: abandonando o ideal para celebrar a realidade

Nós não somos as mães que gostaríamos de ser. Nós somos as mães que, com os recursos e as forças que temos hoje, conseguimos ser. E compreender essa diferença é o primeiro passo para pacificar a jornada.

Em vez de deixar que a culpa paralise, permita que a frustração diante do idealizado sirva apenas de motivação para ir ao encontro do que você deseja. Não deixe que o peso das expectativas roube o espaço da celebração por cada pequena conquista diária, cada êxito miúdo e cada superação que acontece no silêncio da sua casa.

A vida, com todas as suas curvas, trouxe você até aqui. O bebê que hoje habita os seus braços representa sempre um recomeço, uma oportunidade aberta, e nunca um fim em si mesma.

A maternidade não nasce no parto

Diferente do que a cultura romântica tenta nos vender, não são a gravidez e o parto que preparam magicamente uma mulher para ser mãe. Nós nos tornamos mãe no conta-gotas do cotidiano: a cada mamada na madrugada, a cada fralda trocada, a cada acalanto exausto e a cada reconforto oferecido em um colo que, mesmo quente, muitas vezes opera um tanto tenso.

É perfeitamente normal se esconder no banheiro para chorar a diferença dolorosa entre a mãe perfeita que achávamos que seríamos e a mulher real que nos tornamos. Mas, quando lavamos o rosto e nos olhamos no espelho, passamos a reconhecer naquelas olheiras de dedicação e privação de sono que a realidade, com todas as suas imperfeições, é o melhor lugar para se estar.

As sensações de desconforto e o estranhamento próprios desse processo de tornar-se vão dando lugar, pouco a pouco, a uma nova pele. A angústia cede espaço para a segurança da mãozinha que procura o nosso toque, para o sorriso banguela que nos reconhece na multidão e para o prazer dos braços estendidos da criança para alcançar o nosso colo — que, para aquele filho, é melhor e mais seguro do que qualquer outro lugar no mundo.

Não somos as mães perfeitas dos nossos antigos manuais mentais, mas somos as mães certas e possíveis para o ser real que está diante de nós. É esse filho que, ao nos exigir inteiras na nossa humanidade, nos convida a construir, passo a passo, a nossa melhor versão.

Espaço da nossa Aldeia

A matrescência é o nascimento da mãe, e todo nascimento vem acompanhado de dores de parto emocionais e reconfigurações de identidade.

Você também já se pegou chorando no banheiro pela distância entre a mãe que você planejou ser e a mãe que a rotina real permite que você seja? Como tem sido o exercício de olhar para as suas olheiras com mais autocompaixão e celebrar os pequenos acertos do dia? Deixe o seu relato nos comentários e vamos caminhar juntas!

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.