As crianças precisam de tempo. Do seu próprio tempo biológico e psíquico para conseguir desenvolver as suas habilidades, testar os seus limites e experimentar as suas próprias capacidades na prática.
Na grande maioria das vezes, quando olhamos para uma criança e achamos que ela não consegue executar determinada tarefa, pode ser que nós simplesmente não demos o tempo necessário para que ela tentasse e conseguisse. Atropeladas pela nossa ansiedade de adultos, pela busca cega por praticidade, pelo excesso de planejamento ou por expectativas irreais, nós acabamos tirando das crianças o que há de mais sagrado: o momento da infância.
É preciso fixar uma premissa fundamental na educação: autonomia não se ensina em uma lousa. Autoestima não se dá de presente em um discurso elogioso.
Para que uma criança consiga adquirir e consolidar essas “virtudes” ao longo do crescimento, o movimento precisa começar antes, no andar de cima. É preciso que nós, os adultos da relação, conquistemos a nossa própria segurança interna e sustentemos um estado de presença absoluta na rotina.
A jornada ao encontro do ritmo natural
Essa postura exige de nós uma verdadeira viagem ao encontro de algo que muitos de nós sequer conhecemos em nossa própria história: a paciência do ritmo natural e o respeito à individualidade do outro.
O Nuno tem 1 ano e 7 meses. Ele é meu afilhado, e eu tive a honra imensa de poder acompanhar de perto toda a sua gestação e o seu nascimento. Observá-lo descobrir o mundo no tempo dele é um aprendizado diário.
Nada na jornada parental pode ser mais celebrativo, bonito e gratificante do que testemunhar o contentamento genuíno e o brilho nos olhos de uma criança pequena quando ela percebe, por si mesma, que foi capaz de conseguir vencer um pequeno desafio. Quando nós nos retiramos do caminho e paramos de intervir por pressa, a vida floresce.
Espaço da nossa Aldeia
Aprender a desacelerar o nosso passo para acompanhar o ritmo dos nossos filhos é um dos maiores exercícios de amor e de autoeducação que a parentalidade consciente nos impõe.
Como tem sido para você lidar com a pressa na rotina diária com os seus filhos? Você consegue abrir espaço para que eles tentem calçar o sapato, comer ou se vestir sozinhos no tempo deles, ou a ansiedade do relógio acaba fazendo você fazer por eles? Deixe a sua experiência e as suas dificuldades nos comentários. Vamos continuar aprendendo a desacelerar e a acolher o tempo da infância juntas na nossa aldeia!


