Esperar. Esse verbo tão próprio, que qualifica verdadeiramente nosso estado emocional durante a gestação. Uma ação invisível, mas tão profunda e revolucionária na alma daqueles que a executam.
Um verbo que se define por uma não ação, uma não tomada de decisão, por não desistir. E o que parece visivelmente, mas quanto movimento não acontece ao colocar-se em espera, quantas qualidades podem ser exploradas nesta ação tão passiva? Não é uma virtude permitir-se este tempo de aguardar o que não podemos criar ou controlar?
Existe uma revelação espiritual neste verbo, uma aceitação deste lugar onde nada se pode fazer, apenas nutrir o preenchido vazio.
Com tantas ansiedades, planos e expectativas, que estamos acostumados a viver e a nutrir, permitir este movimento de espera, de aguardar o que já está feito acontecer e revelar-se é uma conversão para a alma em uma direção pouco possível no dia a dia… é tão importante para permear a qualidade da relação com os filhos e consigo mesma. Há tempo de arar-se, nutrir-se, bem como há tempo de esperar a transformação da semente, que embaixo da terra, invisível aos nossos olhos vive intensos processos de fissura, quebra, transformação e verticalização em busca da luz.
Enquanto esperamos a chegada do bebê, este tempo de espera nos transformou, nos permitiu adentrar portais ainda intactos da nossa existência consciente.
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