Puerpério: A Realidade dos Desafios Diários e a Busca por Equilíbrio
Maternidade 24 de agosto de 2021 3 min de leitura

Puerpério: A Realidade dos Desafios Diários e a Busca por Equilíbrio

O bebê não dorme! A comida está fria! O banho é interrompido às pressas! Embora a garrafa d'água esteja bem ali no balcão da cozinha, caso você mexa um músculo, toda o trabalho para o esperado adormecimento será reiniciado.
Enquanto você segura o xixi e ouve os stories no mudo para não acordar a cria, sentindo-se culpada por não conseguir manter a conexão durante toda a amamentação. Escuta ao longe o som da live ou do jogo super útil, que rola há mais de uma hora lá dentro do banheiro.
Mesmo que você dedique tudo que tem de melhor em si, quando o bebê chora, os olhares se voltam questionando: “O que você fez de errado? Ou ainda não fez?”
Você quer reclamar, pois as coisas não estão fáceis, mas se sente louca e ingrata, afinal, você está segura em casa, podendo cuidar SÓ do bebê.
Caso você tenha coragem de manifestar o desejo de se afastar por uma hora, para cuidar de suas necessidades injustificáveis, os comentários circularão com ar de preocupação: “Ela está deixando o bebê sem nenhum remorso, não parece ter um bom vínculo com a criança.”
A raiva só aumenta e na madrugada quando já não aguenta mais e os gritos berram e os músculos enrijecem, fazendo doer os ossos, a culpa afasta o sono pelo mal que fizemos à quem menos merecia. Nosso bebê apenas existia com suas necessidades e não foram elas que fizeram a raiva aumentar, circulando até o fio de cabelo.
Quando você se vira em mil para evitar as telas, alimentar corretamente, cuida do horário das sonecas, para não ter uma criança estressada no fim do dia e sonha com um tempo de privacidade. A ajuda só consegue cuidar deixando ver um filminho, comendo besteira, pois foi a única coisa que a criança aceitou. Dormiu fora de hora, mas pelo menos dormiu. Parece até uma punição, por você ousar acreditar que terão pessoas a embalar seu filho com você.
As consequências são integralmente suas. Quando o açúcar que circula nas pequenas veias se tornar uma birra, os olhares te condenarão: "Você não dá limite para essa criança!", "Ela estava bem até agora! Foi só você chegar!"
A noite com o sono leve por conta do estresse todo, você remói a experiência sem se achar no direito de reclamar, …

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.