O caos doméstico e a autopriorização: por que você precisa se manter no topo da sua lista
Autoconhecimento 14 de maio de 2021 3 min de leitura

O caos doméstico e a autopriorização: por que você precisa se manter no topo da sua lista

Há momentos na vida em que somos testadas até o nosso limite. Lembro-me bem de um período de oito semanas intensas e preparatórias, daquelas jornadas que sabermos que vão ecoar pelo resto da vida. E, se eu quisesse ser guiada pelo cansaço, eu teria tido todos os motivos do mundo para desistir logo na primeira semana.

O ritmo desceu pelo ralo: imprevistos familiares de saúde aconteceram, as rotinas escolares mudaram repentinamente e nos vimos, de repente, isolados em nosso próprio caos. Ali, vi-me em um impasse doloroso, mas muito comum na vida de qualquer mãe: abrir mão, mais uma vez, de uma jornada que era importante para mim pessoalmente e profissionalmente, ou continuar?

Dessa vez, eu decidi fazer diferente. Eu decidi me colocar como prioridade.

O preço dessa escolha? A casa ficou de ponta-cabeça. Houve dias em que a única solução possível foi pedir o jantar por um aplicativo de entrega. A roupa da criança não estava seca a tempo para o retorno às aulas, e eu precisei faltar às reuniões da escola.

Às vezes, a nossa rede de apoio e os nossos parentes, cheios de boa intenção, dizem que precisamos “maneirar”, que estamos pegando pesado demais conosco mesmas. Essa é uma armadilha cultural na qual muitas de nós caímos repetidamente: a ideia de que a boa mãe é aquela que abre mão de tudo o que lhe dá brilho nos olhos para garantir a rigidez de uma rotina doméstica impecável.

Congruência: praticar o que se ensina

No entanto, à medida que os dias passavam, ficava cada vez mais claro para mim que continuar aquela jornada não era apenas sobre o meu ego ou os meus desafios individuais. Era sobre ser capaz de ser congruente com tudo o que venho falando diariamente para as famílias que acompanho.

Como eu poderia continuar ensinando outras mulheres a serem gentis consigo mesmas, a buscarem o autoconhecimento e a se colocarem no primeiro lugar da lista, se eu mesma aceitasse me apagar diante do primeiro sinal de bagunça na rotina?

A maternidade consciente nos exige flexibilidade. Imprevistos fazem parte da vida, mas eles não precisam ser uma barreira intransponível que nos impede de seguir e conseguir o que nos alimenta a alma.

Quando decidimos quebrar o ciclo da autonegligência, algo explode na nossa cabeça. Desfazemo-nos de crenças limitantes ancestrais e descobrimos tanto sobre o nosso próprio potencial que o movimento de expansão se torna inevitável. Quando uma mãe voa e resgata a sua identidade para além do papel do cuidado, todo o ecossistema familiar usufrui dessa saúde mental. No fundo, uma mãe que se valida constrói uma família mais feliz e consciente.

O recado para quem está no olho do furacão

Se hoje a sua casa está um caos, se os prazos falharam ou se você sente que está decepcionando as expectativas externas para conseguir dar atenção a um projeto que é só seu — seja ele uma meta profissional, um momento de autocuidado ou um processo de terapia —, eu preciso te dizer: siga em frente.

Olhar para si e sustentar as suas escolhas no meio da tempestade não é egoísmo; é um ato de preservação relacional.

A jornada da parentalidade é longa, e você vai precisar de si mesma por inteiro para percorrê-la. Por isso, garanta que você não vai se deixar para o final da fila.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.