Baby Blues: compreendendo e acolhendo as emoções normais do pós-parto
Maternidade 22 de março de 2021 4 min de leitura

Baby Blues: compreendendo e acolhendo as emoções normais do pós-parto

No nosso artigo anterior, nós conversamos seriamente sobre a depressão pós-parto e os seus sinais de alerta. No entanto, existe um outro estado emocional, muito mais comum e frequentemente confundido com a depressão, que atinge a grande maioria das mulheres no início do puerpério: o “Baby Blues”.

Ao contrário de uma patologia, o “Baby Blues” é um estágio absolutamente passageiro nessa nova travessia que se inicia. Ele se caracteriza como um momento logo após o nascimento — surgindo geralmente por volta de 3 dias após o parto — no qual percebemos nítidas alterações de comportamento e de humor na recém-mãe.

Esse estado está diretamente associado a intensas alterações hormonais e a um profundo estresse adaptativo. Em outras palavras: é um período em que o organismo físico e emocional da mulher está sendo exigido ao máximo para se adaptar a uma realidade completamente nova.

O que pode acontecer: os sintomas do Baby Blues

Durante esse processo de transição e reajuste, é comum observarmos uma série de manifestações que, embora desconfortáveis, tendem a se normalizar sozinhas ao longo de algumas semanas.

As principais alterações incluem:

O luto pela vida de antes e a matrescência

É fundamental que as recém-mães saibam que esta fase inicial e aguda tem um fim. No entanto, também é preciso honestidade para entender que momentos semelhantes de ambivalência vão ser recorrentes durante toda a matrescência — esse processo de nascimento e amadurecimento da identidade de uma mãe.

Precisamos repetir o óbvio até que a cultura entenda: “Baby Blues não é depressão” e tampouco um sintoma inadequado para esta fase da vida. As mães não devem se envergonhar por abrigarem sentimentos de luto, nostalgia e até arrependimento. Acolher e dar um bom lugar a essas dores é um caminho muito mais saudável do que tentar se desfazer desses sentimentos à força. Eles fazem parte e fazem sentido dentro da história de cada mulher.

O Blues não define a sua capacidade de amar

O dado clínico mais importante que você precisa guardar no coração é este: todas essas alterações não têm nenhuma relação com a sua capacidade de amar a sua cria.

Sentir-se triste, irritada ou exausta no início do puerpério não faz de você uma mãe menos amorosa. Faz de você, simplesmente, uma mulher humana atravessando o maior tsunâmi hormonal e existencial da sua vida. Se o entorno oferecer um colo seguro, escuta sem julgamentos e apoio prático, o “Baby Blues” cumpre o seu papel natural de transição.

Espaço da nossa Aldeia

Você se lembra de ter vivido esse turbilhão de emoções nos primeiros dias após o nascimento do seu filho? O que mais te ajudou a passar por essa fase sem se afogar na culpa?

Deixe o seu relato aqui nos comentários. E se você lembrou de alguma grávida ou recém-mãe que precisa ler este conteúdo para respirar aliviada hoje, compartilhe este artigo com ela.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.