“E foram felizes para sempre.” Essa costuma ser a frase que encerra as histórias ou aquela cena final do filme logo após o grande desafio ter sido vencido, a briga superada e a conexão restabelecida. Na ficção, novas promessas nascem ali, preparando o terreno para que, no próximo episódio, os pombinhos escolham novamente a felicidade eterna.
Na vida real, o roteiro é bem diferente. Gostaríamos que os nossos companheiros fossem sempre carinhosos, previsíveis e cuidadosos. No entanto, assim como o dia que nasce do lado de fora da janela, o casamento tem horas de sol pleno e horas de temporal intenso.
Se você embarcou nessa aventura profunda que é construir uma relação de casal, deixo uma sugestão honesta: não espere ser feliz apenas quando os dias estiverem ensolarados, a brisa refrescante e a comida saborosa. Essa realidade linear simplesmente não existe.
Aprendendo a navegar na falta de visibilidade
Para sustentar um casamento, você vai precisar aprender a apreciar os dias tempestuosos, aqueles com chuvas intensas e com absolutamente nenhuma visibilidade. São os dias em que, talvez, os dois se sintam perdidos dentro do mesmo barco. Nesses momentos, pode ser que o desânimo bata à porta. E se desanimarem, tudo bem. Descansem.
Apreciar a tempestade não significa que você precisa “gostar” do desconforto, mas sim manter a certeza interna de que novos caminhos surgirão. Significa entender que conteúdos submersos precisam emergir para que a consciência do casal possa se expandir.
Existem livros e mais livros falando sobre o tema, além de cursos e profissionais dedicados a nos ajudar a melhorar o casamento — tamanha é a importância dessa base para a nossa vida e para a criação dos nossos filhos.
O espelho da imperfeição
O que me ajuda a superar as dificuldades cotidianas é lembrar que não existe uma pessoa perfeita para estar comigo, pela simples razão de que nem mesmo eu sou perfeita.
Quando olho para mim e reconheço o meu próprio espaço e esforço diário para manter a consciência e o equilíbrio, consigo enxergar o mesmo no meu companheiro. Vejo que ele, com as suas próprias dificuldades e limitações, está ali, remando ao meu lado no mesmo barco.
Às vezes, eu estou mais animada e ele está distraído ou exausto. Nessas horas, a minha ânsia de querer ir mais rápido traz o risco iminente de olhá-lo com julgamento, como se ele não estivesse me acompanhando. Mas é aí que a autoeducação entra: eu posso respirar, aceitar a situação como ela é e decidir o que fazer com a minha própria potência naquele momento.
Eu posso escolher permanecer no barco e esperar pacientemente que ele recupere o ânimo para irmos adiante juntos. Enquanto o ritmo não retoma, há uma paisagem interna para apreciar, reflexões para fazer e até mesmo exercícios para gastar a energia excedente à espera. O casamento real não é uma corrida de velocidade; é uma jornada de sustentação mútua.
Espaço da nossa Aldeia
Dividir a rotina, os boletos e a criação dos filhos exige aceitar que o outro nem sempre estará no mesmo ritmo que nós.
Como tem sido navegar pelos dias de tempestade no seu relacionamento? Você consegue acolher o desânimo do seu parceiro ou a pressa de ver o sol voltar costuma gerar conflitos por aí? Compartilhe a sua história nos comentários. Vamos continuar transformando as nossas dores em uma rede de liberdade e acolhimento mútuo.


