Criança não namora, mas pode enamorar: desvendando o encantamento infantil
Desenvolvimento 27 de junho de 2019 2 min de leitura

Criança não namora, mas pode enamorar: desvendando o encantamento infantil

Criança não namora, mas criança pode enamorar! Assim como a riqueza da nossa gramática, as nossas emoções e sentimentos são muito mais vastos do que estamos habituados a expressar ou até mesmo a reconhecer no dia a dia.

Há anos eu faço uma campanha firme defendendo que criança não namora — afinal, o namoro é uma instituição social adulta, com códigos, expectativas e cobranças que não cabem no universo infantil. No entanto, parando para ouvir as crianças com verdadeira curiosidade, fiquei intrigada com o que elas, de forma totalmente espontânea, chamam de “namoro”.

Foi aí que compreendi: para os pequenos, essa palavra não carrega a nossa malícia ou o nosso formato de relacionamento. Para eles, o que acontece é um profundo estado de encantamento por alguém.

A riqueza de expandir o vocabulário

A esse sentimento puro e genuíno, nós podemos dar nomes muito mais adequados e bonitos: enamorar-se, encantar-se, fascinar-se, admirar-se!

Da mesma forma que as crianças se encantam com as cores de uma flor, com a descoberta de um animal ou com o mundo das fantasias, elas podem, sim, se encantar por um amigo, por uma professora e até por si mesmas. Esse fluxo de afeto faz parte do desenvolvimento emocional saudável.

Olha como é importante ampliarmos o nosso vocabulário e a nossa sensibilidade. Quando compreendemos a diferença entre o comportamento adulto e o sentimento infantil, paramos de projetar nos nossos filhos aquilo que eles não estão prontos para viver, e passamos a acolher esse estado legítimo e bonito da infância.

O recado continua o mesmo, mas agora com mais profundidade: criança definitivamente não namora, mas pode — e deve — enamorar-se pela vida e pelo outro.

Espaço da nossa Aldeia

Proteger a infância da adultização exige que os adultos mudem o olhar e aprendam a traduzir os sentimentos dos filhos sem os códigos do mundo dos mais velhos.

O seu filho já apareceu em casa dizendo que estava “namorando” na escola? Como foi a sua reação na hora? Você conseguiu enxergar o encantamento por trás da palavra ou bateu aquele impulso automático de rir ou de proibir? Compartilhe a sua experiência nos comentários. Vamos continuar protegendo a infância juntos!

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.