#repost @aoba_bebe
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O marido viajou a trabalho, os filhos mais velhos foram acampar e eu fiquei sozinha com as pequenas. Qualquer um sozinho com duas crianças acharia muito mas, nesse caso, três a menos trouxe outra perspectiva, outro ritmo! O dia passou devagar e tive a oportunidade de prestar atenção em algumas coisas que estavam acomodadas. Morena começou a chupar o dedo com dois anos e meio quando a Cora tinha seis meses. Eu achei que ia passar logo, mas não passou e, hoje ela tem quatro e meio. Mesmo que eu acredite que estou confortável fico incomodada de vê-la tanto tempo chupando o dedo. Eu consigo respeitar mas me incomoda! Olhando para ela hoje fiquei pensando no cenário geral e não pude deixar de conectar as coisas e consegui entender o sentimento dela! Depois de um tombo que ela levou enquanto brincava, eu a abracei forte e segurei seu dedo, pedi que ela me desse a chance de acalmá-la, de ouvi-la chorar e poder acolher seu sentimento. Ela ficou braba e eu comecei a dizer que eu supunha que ela devia ter sentido muito a minha falta no momento que começou a chupar o dedo. Disse que ele tinha sido uma boa companhia para ela não se sentir sozinha! Ela começou a chorar um choro diferente e repetir as minhas frases! -Eu sentia falta dos teus colos! -Eu queria o papai! -Eu tava sozinha! Tive a impressão de conseguir tocá-la, acolhê-la. Ouvi-la dizer a sua verdade não foi fácil! Como mães não gostamos de falhar e não gostamos de falar sobre nossas falhas, sobre onde faltamos. Procuramos formas de nos livras das culpas pois entendemos que são fardos. Mas elas causam marcas, principalmente se não são ditas, se não assumirmos. Foi difícil reconhecer o quanto eu me incomodava de vê-la chupando o dedo pois eu via a minha ausência! Eu queria e precisava cuidar da Cora, fiz o melhor que eu pude mesmo que não tenha sido suficiente para ela. Isso não deve ser mudado! Hoje ela ainda continua pedindo colo, parece que aquela fase não acabou! E quando ela pede acredito que seja minha chance de atender desta vez, mesmo sendo mais desafiador. Sempre temos a chance de transformar nossa culpa em mudança enquanto as crianças ainda pedem!
Texto: Luciana Lima
Foto: Luciana


