Você já parou para refletir, de verdade, sobre como o processo de desenvolvimento do seu bebê acontece?
Quando olhamos para as grandes conquistas físicas da infância, é muito comum que os adultos caiam em automatismos culturais. Por isso, faço um convite para você pausar e responder honestamente a estas perguntas:
- Você acha que o seu papel principal como mãe ou pai é ensinar ativamente à criança as habilidades motoras que ela precisa?
- Você acredita que existe um tempo rigidamente certo para essas aquisições acontecerem — uma data limite exata para o bebê estar sentado, engatinhando ou andando?
- Você acredita que está tudo bem o bebê pular uma fase (como o engatinhar), por achar que isso demonstra que ele é “mais espertinho” do que a média?
- Você sente pena ou angústia pelo seu bebê quando ele demonstra interesse em um objeto ou movimento que ainda não consegue manipular ou executar sozinho?
Esses questionamentos são o ponto de partida para desconstruirmos a ansiedade que costuma cercar o ambiente familiar no início da parentalidade.
Mais que uma competência: a construção anímica da criança
Muitas vezes, a nossa cultura enxerga o ato de aprender a andar, por exemplo, como uma mera competência mecânica — uma meta a ser batida no checklist do desenvolvimento.
Mas será que o processo de conquista motora é apenas físico, ou ele constrói a criança de forma anímica e psicológica?
Quando permitimos que o bebê conquiste cada etapa por si mesmo, ele não está apenas fortalecendo músculos. Ele está desenvolvendo autoconfiança, noção espacial, tolerância à frustração e uma profunda sensação de competência. Ele aprende como aprender.
Diante disso, surge outro dilema importante: o ambiente onde a criança irá se desenvolver deve ser totalmente adaptado e limitado às suas necessidades e competências atuais, ou deve desafiá-la?
Investigando o desenvolvimento com respeito
Estas são algumas das perguntas fundamentais que despontam quando decidimos parar por um instante para refletir sobre este tema tão vital. Você, com certeza, já acrescentou outras tantas perguntas a essa lista com base no que observa na sua própria casa.
Não tenha medo das dúvidas. São exatamente esses questionamentos que nos motivam a investigar o desenvolvimento infantil sob a ótica do respeito, da autonomia e da abordagem Pikler. Nosso papel não é acelerar a infância, mas garantir um solo seguro para que ela floresça no seu próprio tempo.
Espaço da nossa Aldeia
Qual é a fase do desenvolvimento do seu filho que mais tem despertado a sua ansiedade ou os palpites da família ultimamente? Você consegue deixá-lo livre para explorar ou sente a tentação de intervir a todo momento?
Deixe suas perguntas e dúvidas aqui nos comentários. É a partir desses questionamentos que vamos continuar investigando e construindo este assunto juntos.


