Você ouviu com terror, desde pequena que o sofrimento acompanha as mulheres como uma companheira íntima.
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Menstruar é desconfortável. O amor traz sofrimento. Parir é a dor mais terrível que um ser humano pode sentir. Amamentar escraviza. Mulher nasceu pra sofrer!
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Quando os filhos nascem, se você optar por tê-los, terá que abrir mão da sua emancipação. Você se tornará escrava do lar e do cuidado permanente deste ser, que também faz parte desse mundo terrível pra se viver mulher.
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Que triste fim! O meu, assim como o de tantas outras, que nasceram sob o mesmo gênero.
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Porém, quando no bucho minha semente vingou, foi o poder que nasceu em mim e não o sofrimento. O poder de enfrentar o medo e a dor. Deixei de ouvir o terror e dei voz à certeza.
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Meu primeiro parto domiciliar foi um grito para que todos soubessem sim, que a dor não me submete, que o medo não me paralisa e agora com cria, a fera põe pra correr qualquer ameaça. A certeza dessa vida que me fez renascer na potência de ser mulher.
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Depois de cinco filhos que pari na dor e no êxtase da intimidade e da segurança que só eu mesma e meu companheiro pudemos criar, posso dizer que existo para ser cúmplice desse ressurgimento da potência que vive em cada mulher e que transcende o lugar de dor que tentaram lhe fazer caber.
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Eu sei que essa mulher está aí, dentro de você assim como estava dentro de mim.
Eu sei que ela está aí! Talvez inibida, como a minha esteve durante tanto tempo! Mas agora, que posso ver eu mesma minhas realizações no mundo, ninguém mais me fará duvidar e eu não permitirei que você duvide. O que a voz da sua certeza tem a nos dizer?
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