O ardor da pele e do suor, a sensualidade do movimento e do encontro. O toque áspero da mão que passeava, que conduzia a dança. A soneca de conchinha depois do gozo. O clima que acontecia por mensagens, piadas internas, pequenas provocações íntimas deram espaço para o toque suave de uma pele macia, para as horas contadas ao acaso, para o cheiro nada erótico do leite derramado na cama, na camisola. O prazer a dois tornou-se presenciar os primeiros passos, a primeira noite bem dormida, as refeições ainda quentes. Dois corpos ressentidos pela falta do encontro um com o outro, em seu próprio tempo em sua própria vontade. Assim como toda a vida que mudou, nossas aventuras sexuais também mudam depois que os filhos veem fazer parte da nossa vida. Marcar hora para se encontrar, ter prazo para chegar ao gozo, conferir se todos estão dormindo, se a porta foi devidamente trancada. O que era prazer virou tarefa, ou aventura. O que era espontâneo e leve tornou-se até cômico. Alguém chamando ou batendo na porta, provocando uma aterrissagem forçada, o gato que ficou dentro do quarto e resolveu aparecer. A cama do motel convida ao sonho e não à fantasia! Quando dormir e comer são nosso prazer urgente, o sexo torna-se um pecado. Nada consolador saber que vai passar, pois o medo do abismo entre nós é temerário! E sempre nos assombrará o fato do gozo e do encontro poder nos dar filhos.
Depois dos rebentos sexo e orgasmo não são só prazer físico mas a celebração da intimidade que superou a distância e o cansaço, vitória da confiança, recompensa pela espera e pela parceria. Além do gozo o olhar cúmplice do que esse momento realmente representa para agora e para sempre!
Autora: Luciana Lima
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