Somos de uma geração que foi massivamente educada ouvindo essa frase. Uma sentença que funcionava como uma ameaça direta à nossa liberdade de ser, de explorar o mundo e, inevitavelmente, de cometer erros.
No nosso tempo de criança, quando errávamos, o cenário raramente era de acolhimento. Não recebíamos a orientação necessária sobre como poderíamos reparar os nossos tropeços ou refazer a rota. Em vez disso, recebíamos a punição pelo que havíamos ensaiado ser. O erro era tratado como um desvio de caráter, e não como a ferramenta biológica de aprendizado que ele de fato é.
Ainda hoje, quando percebo o eco dessa frase soprando nos meus pensamentos, sinto um calafrio de morte. É uma marca profunda que não nos abandona facilmente. Cada risco assumido na vida adulta que não atinge o êxito esperado parece arrancar-me as penas novamente. Revivo, na carne, a dor antiga de não ter dado certo, o peso de ser julgada por ter tentado voar.
O amadurecimento das asas feridas
Mas a natureza humana é resiliente. Eu realmente espero que essas asas, doloridas de tantas vezes terem sido cortadas no passado, desenvolvam a robustez necessária através das nossas cicatrizes.
Que o nosso processo de cura nos prepare para a vitória de um único, consciente e definitivo voo: o voo rumo a não sentir mais medo de quem somos. Que a dor de ontem se transforme na firmeza de hoje.
Criando filhos para o voo livre
É olhando para trás que descobrimos como fazer diferente com a geração que colocamos no mundo. Entender o peso das nossas próprias amarras nos convoca a ser o adulto seguro que os nossos filhos precisam para ensaiar os seus próprios voos.
Criar uma criança a partir da parentalidade consciente significa quebrar esse ciclo de ameaças. Significa garantir que, quando eles caírem ou errarem o alvo, o nosso colo seja a pista de pouso e o nosso olhar seja a orientação para a reparação, e nunca a tesoura que poda a sua ousadia de crescer. Só pássaros que confiam na segurança do ninho têm a coragem de testar o tamanho das próprias asas.
Espaço da nossa Aldeia
Romper com os padrões de punição que recebemos na infância exige que a gente cure a nossa própria relação com o erro antes de tentar educar.
Você também carrega o eco dessa frase ou de punições parecidas na sua história? Como o medo de errar e de “não dar certo” se manifesta no seu maternar hoje, e como você tem feito para proteger o direito do seu filho de testar as próprias asas sem medo? Compartilhe a sua caminhada nos comentários. Vamos curar as nossas cicatrizes juntas!
Duvido alguém achar a Morena na foto!


